Supermercados projetam crescimento de 3,5% para 2013
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segunda-feira, 08 de abril de 2013
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - O setor de supermercados espera para este ano um crescimento de 3,5% no Brasil, percentual menor do que o do ano passado, quando o segmento atingiu um aumento no faturamento de 5,4%. No Paraná, o setor cresceu 8% em 2012, mas também espera ter um desempenho semelhante ao nacional neste ano. Para o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Fernando Yamada, o impacto da massa salarial e, especialmente, do reajuste do salário mínimo foi menor neste ano. Ele esteve ontem na abertura da 32ª Feira e Convenção do Setor Supermercadista (Mercosuper), que vai até amanhã no Expotrade, em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.
Yamada acredita que em julho o setor consiga revisar a projeção de crescimento. ''O segundo semestre é sempre mais otimista. Em julho talvez possamos anunciar que o setor irá crescer mais que a projeção prevista no início do ano'', declarou.
O presidente da Abras também comentou a respeito da desoneração da cesta básica que foi anunciada pelo governo federal. Segundo ele, há um compromisso da associação de repassar 100% de desoneração para o consumidor final. Yamada comentou que o impacto imediato aconteceu para a carne e os produtos de higiene pessoal e limpeza. Já para óleo, açúcar e café, a redução nos preços foi menor. ''O óleo, por exemplo, já fazia parte da lista da cesta básica. O governo só tirou o PIS e a Cofins deste produto.'' O presidente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), Cesar Tozetto, acredita que o setor vai fazer o que for possível para manter o repasse da desoneração para o consumidor final.
Yamada afirmou que o maior problema ainda são os produtos in natura, que acabam tendo oscilações de acordo com os fatores climáticos. No entanto, para soja, milho e frango, a perspectiva, segundo ele, é de estabilidade para este ano.
O ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola, que participou ontem da Mercosuper como palestrante, disse que nunca se tem certeza do efeito da desoneração no preço final dos produtos. Segundo ele, isso tem muito a ver com oferta e demanda. ''A tendência é que alguém da cadeia produtiva se aproprie do benefício. Como a demanda está aquecida é provável que os consumidores não recebam todo o benefício'', afirmou. Ele citou que os alimentos também sofrem pressão de custos pela logística. Mesmo acreditando que a desoneração é uma medida paliativa, ele espera que o consumidor seja beneficiado.
Segundo Loyola, o governo teria que atacar as causas da inflação, investindo em uma política monetária ou fiscal. Na visão dele, o governo deveria cortar os próprios gastos ou aumentar os juros.
Ele defende que o governo desonere ainda os ''impostos mais perversos'', aqueles que incidem sobre bens de capital e sobre serviços como a energia elétrica. ''O governo teria que descomplicar a vida do empresário, que é sujeito a uma série de impostos'', comentou.
Loyola acredita em 3% de crescimento para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, alavancado pela previsão de uma maior safra agrícola em 2013. Ele defende um câmbio flutuante e uma alta moderada dos juros porque ''a inflação é preocupante''.



