Supermercados preocupados com a falta de produtos
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segunda-feira, 28 de março de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O setor supermercadista está preocupado com a perda de vendas com a falta de produtos nas gôndolas de supermercados, situação conhecida como ruptura. Por causa disso, muitos consumidores chegam até a abandonar as compras em determinada loja e com isso estabelece-se uma situação que todos perdem: indústria e comércio não vendem e consumidor perde tempo ao ir em busca de outra loja para encontrar o produto que deseja.
O resultado de uma pesquisa feita para dimensionar o tamanho do problema, nas lojas das grandes redes de supermercado do Rio de Janeiro e São Paulo, apontou que a média de ruptura atinge 8% das vendas. O superintendente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), Valmor Rovaris, disse que a redução desse índice exige investimentos da rede supermercadista em tecnologia e treinamento de pessoal.
A pesquisa foi elaborada pela Associação ECR Brasil, que tem como associadas grandes empresas como Unilever, Nestlé, Ambev, Coca-Cola, Johnson&Johnson, Colgate, Danone e Sadia (da indústria); Grupo Pão de Açúcar, Makro, Sonae, Angeloni, Cooperativa de Consumo e Ponto Frio (varejo); Itaú e Bradesco (serviços), entre outras.
Segundo Rovaris, o problema atinge a todos indistintamente. Mas algumas redes estão conseguindo reduzir o nível de ruptura para níveis mais aceitáveis entre 4,5% a 5%, com a implantaçao de sistemas mais eficientes de controle de estoques. As redes de São Paulo e Rio, que muitas vezes vinham pressionando os fornecedores pela falta de produtos nas gôndolas, fizeram um ''mea culpa'' ao admitirem o resultado apontado pela pesquisa. Na maioria das vezes o foco do problema está na falta de controle dos centros de distribuição dos supermercados, disse Claudio Czapski, superintendente da Associação ECR Brasil.
A rede de supermercados São Francisco, de porte médio, em Maringá, vem implantando o sistema de gerenciamento por categoria para reduzir o índice de ruptura, desenvolvido pela ECR Brasil. De acordo como gerente Silvio Cabrero, o sistema permite identificar rapidamente a falta do produto e facilita a investigação sobre a causa da perda. No caso dos supermercados médios, a ruptura pode ser provocada por dificuldade de leitura do comprador que não previu um pique nas vendas de deterinado produto ou pode ser também falta de logística enfrentada pelo fornecedor para entregar o produto no período previsto.
O sistema consiste em criar várias lojas dentro do supermercado. Segundo Cabrera, cada setor passa a ser visto como uma loja separada onde o gerente de categoria passa a gerenciar com mais precisão os produtos disponíveis nas gôndolas e o que está faltando para atender o consumidor naquele segmento. ''Assim fica mais fácil visualizar o que está faltando'', disse. Para Cabrera, se o supermercado conseguir atender a exigência do consumidor que abandona o carrinho dentro da loja porque não encontra produtos de determinadas marcas que está habituado a comprar, certamente estará atendendo todos os outros e com isso terá reduzido seu índice de ruptura, afirmou.


