O setor supermercadista brasileiro acumula um crescimento de 5,5% nas vendas de janeiro a setembro deste ano, segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). O setor passa ao largo da crise econômica e uma das razões para isso, de acordo com a entidade, é a redução do desemprego e o crescimento da massa salarial dos empregados.
Só para se ter uma ideia, em setembro, a massa salarial cresceu 6,5% diante do mesmo mês do ano passado. E, de acordo com o levantamento da Abras, o desemprego caiu nas grandes cidades. Em Recife, por exemplo, passou de 6,7% em agosto para 5,7% em setembro. Em Belo Horizonte, saiu de 4,3% para 4% e, em Salvador, de 6,4% para 6,2%. Já no Rio de Janeiro, a redução foi de 4,7% para 4,4%.
O superintendente da Abras, Tiaraju Pires, informa que, nos últimos seis anos, o setor vem crescendo cerca de 5% por ano. ''Antes disso, tínhamos um crescimento grande num ano e no outro uma redução. Agora estamos acumulando crescimento real'', afirma. De acordo com ele, desemprego em baixa e aumento da renda formam um cenário extremamente favorável ao consumo de alimentos.
O valor da cesta básica da Abras subiu 2,16% em setembro, quando a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,57%. Ela custava R$ 322,88 em agosto e passou a R$ 329,87. ''Não é nada que nos assusta, nada fora de controle, mas desde maio os preços dos alimentos vêm crescendo acima da inflação'', declara Pires.
Segundo a entidade, a cesta da Região Sul é a segunda mais cara, de R$ 349,60. E a do Nordeste, a mais barata: R$ 274,33.
Fim de ano
Apesar da boa performance no ano, a Abras prevê um crescimento nas vendas de Natal e Reveillon de 14,4%, ligeiramente menor que o de 2011, que foi de 15,6%. O motivo é o impacto da apreciação do dólar sobre produtos importados.
De forma geral, os pedidos desses produtos cresceram 7,1% neste ano, metade do crescimento de 14% verificado em 2011. ''No final do ano passado, o câmbio era muito mais favorável para a compra de importados'', afirma.
No Paraná, a previsão é de um final de ano melhor que o de 2011, segundo o vice-presidente da Associação Paranaense dos Supermercados (Apras), Eduardo Muffato. ''Estamos muito otimistas com o Natal. A sinalização dos últimos meses é de que cresceremos mais. Vamos vender mais produtos natalinos como panetones e champanhe, mais aves e até a própria carne bovina'', afirma.
De acordo com ele, a cesta básica do Paraná é uma das mais baratas do País. E o alto valor apurado pela Abras para a região Sul seria responsabilidade dos supermercados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Imagem ilustrativa da imagem Supermercados passam ao largo da crise
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