Supermercados negam lucro abusivo no leite e derivados
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 10 de outubro de 2001
Ana Paula Nascimento<br> De Londrina 
O presidente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), Pedro Joanir Zonta, negou ontem as informações divulgadas sobre as margens de lucro - consideradas exageradas - dos supermercados sobre os produtos lácteos. Em matéria publicada pela Folha no dia 3 de outubro, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), que se reuniu em Curitiba com produtores de leite de cinco Estados (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais), denunciou que as margens de lucro dos supermercados no leite longa vida variam de 20% a 46%, enquanto na venda de queijo mussarela o lucro estaria entre 80% e 200%.
Para Zonta, as informações da CNA ''não condizem com a realidade praticada pelos supermercados''. ''Acho que eles estão mal informados, porque garanto que em supermercados, não só os paranaenses, as margens de lucro na venda do leite longa vida não ultrapassam 6%, mesmo considerando os 10,35% de impostos que temos que pagar'', alegou.
Quanto ao queijo mussarela, Zonta disse que a margem de lucro para o pedaço inteiro é de 15% a 20%; para o queijo fatiado, até 25%, considerando a quebra do produto ao ser fatiado. ''São margens plenamente aceitáveis pelo mercado que se auto-regula'', afirmou o presidente da Apras. Atualmente, segundo Zonta, os supermercados pagam de R$ 0,73 a R$ 1,00 pelo leite longa vida, repassando ao consumidor entre R$ 0,79 e R$ 1,22.
O problema apontado pelo presidente da Apras são as grandes indústrias de leite que ''acabam manipulando o produtor''. Para evitar prejuízos aos produtores de leite, Zonta considera favorável o tabelamento de um preço mínimo ao produtor, considerando adequadamente os custos de produção. ''Não adianta querer tabelar os supermercados, que é a ponta final. O importante é tabelar na ponta inicial, para que a fonte produtora fique resguardada'', argumentou.
Conesa confirma Já o técnico do Deral e coordenador do Programa Estadual de Qualidade do Leite do Conselho Nacional de Sanidade Agropecuária (Conesa), Osmar Buzinhani, confirmou que as margens de lucro dos supermercados são abusivas e prejudicam a cadeia produtiva do leite. Segundo dados da Secretaria da Agricultura, no período de 17 a 21 de setembro, nas praças paranaenses, a margem de lucro na venda de queijo prato chegou a 109%, enquanto que o queijo mussarela, a variação foi de no máximo 90%.
''As margens são absurdas e acabam não permitindo giro de estoques, sendo que deveria haver uma uniformização de preços tanto para o produtor, quanto para o consumidor'', afirmou. Sobre o preço médio de leite pago ao produtor, Buzinhani disse que está em torno de R$ 0,27 o litro e que há possibilidade de cair em 5% até o final do ano. ''O preço pago ao produtor deveria ser no mínimo R$ 0,35/l'', disse.
Hoje, no Deral, produtores e representantes da indústria do leite vão se reunir para debater este e outros problemas enfrentados pelo setor.


