Curitiba – O setor supermercadista também está de olho na votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) amanhã à tarde, em Brasília. Representantes desse segmento, que estiveram reunidos em Curitiba, esta semana, por conta da 35ª Mercosuper - Feira e Convenção Paranaense de Supermercados, falam da expectativa de mudança no cenário político para que o País retome o crescimento. "A esperança é que neste final de semana realmente aconteça o que está previsto", afirmou o presidente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), Pedro Joanir Zonta. Em entrevista à FOLHA, o fundador e presidente da Rede Condor disse que a falta de credibilidade do governo federal é o fator mais preocupante. "Nós não temos empresários investindo, capital estrangeiro entrando no País, isso que é o ponto mais sério", analisou.
A edição de 2016 da Mercosuper teve um clima político bem marcante. Tanto que a palestra de abertura, com o Procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da Força-Tarefa do Ministério Público Federal (MPF) na Operação Lava Jato, contou com a presença de cerca de 1.500 pessoas. Uma ótima plateia, levando em conta que a expectativa de visitantes durante todos os três dias da feira, que terminou anteontem à noite, era de 35 mil pessoas – até ontem os organizadores não tinham o balanço final.

Cenário
Os supermercados paranaenses têm faturamento anual de R$ 19 bilhões e empregam 60 mil pessoas. A Apras conta com cerca de 800 supermercados filiados. Os números são importantes, mas no ano passado as vendas do setor tiveram resultado negativo de 3%. "O ano de 2015 foi ruim e 2016 não está se comportando diferente", disse Joanir Zonta. Os supermercados funcionam como um termômetro do consumo e, como diz o dono do Condor, se o bolso do consumidor vai bem, o faturamento dos supermercados também. "Uma coisa depende da outra. O consumidor deixou de comprar certas marcas. Mudou de hábito", constatou. "Hoje, o consumidor está focado estritamente no básico. Por isso, cai o faturamento. Ele estava acostumado, no café da manhã, com queijo, presunto e bom pão. Hoje, pão com margarina. Isso é queda de vendas no supermercados".
Segundo Joanir Zonta, a alta rotatividade de funcionários, que era característica do setor, não está mais ocorrendo, situação que ele também atribui à crise econômica. Isso porque o supermercado acaba sendo um local de primeiro emprego. Antes, na primeira oportunidade, a funcionária pedia demissão para tentar outro trabalho com folga aos domingos e feriados. "Não está havendo demissão, mas não está havendo contratação. Empregado, hoje, está permanecendo, mantendo o seu emprego", revelou. Ele classificou ainda de pontual o fechamento das 60 lojas da rede Walmart no Brasil, explicando que o cenário, apesar de negativo, ainda não implica em fechamentos de supermercados.

mockup