O shopping center é tido como o verdadeiro "templo do consumo", onde poucos resistem à tentação de gastar e comprar até o que é desnecessário. Mas uma pesquisa recente, feita pelo SPC Brasil, revela que a verdadeira compra por impulso é mais comum em outro endereço: o supermercado. Entre os 604 entrevistados, de todas as capitais do País, 34% admitiram que gastam mais do que o planejado no supermercado, contra 25% que disseram fazer o mesmo no shopping e 19% em lojas virtuais.
Num primeiro momento, as porcentagens surpreenderam o gerente financeiro do SPC, Flávio Borges, que coordenou a pesquisa. "A gente esperava que os shoppings ficassem em primeiro lugar." Mas ao avaliar melhor as diferentes relações de consumo em cada um dos casos, ele concluiu que o resultado faz todo sentido. "O perfil dos supermercados mudou e cada vez mais esses estabelecimentos incorporam itens diferenciados. É uma situação de consumo peculiar, onde o consumidor vai desarmado e encontra uma variedade grande de produtos. No shopping o consumidor, geralmente, já entra com o objetivo de realizar determinada compra", ressalta.
Na avaliação do presidente da regional de Londrina da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), Wilson Obara, o resultado da pesquisa, claro, é uma boa notícia. E, segundo ele, demonstra que, além da oferta variada de produtos, as estratégias de marketing utilizadas pelo setor vêm atingindo o resultado esperado. "Além disso, o crédito também influenciou. Os mercados, em muitos casos, oferecem até ofertas melhores para produtos como eletrodomésticos", complementa Obara.
Embora seja uma prática comum na maior parte das classes sociais, a compra por impulso em supermercados, segundo a pesquisa, é mais recorrente entre as famílias da classe C. Em cada grupo de dez entrevistados deste segmento, pelo menos quatro (40%) responderam que são mais impulsivos nos supermercados. Já, nas classes A e B, a proporção é de 29%. "É por causa da nova classe média, que foi inserida no mercado de consumo recentemente e também passa por um processo de experimentação de determinados produtos", explica Flávio Borges.
Os shopping centers são responsáveis pelas compras por impulso para 27% dos entrevistados das classes A e B enquanto que, na classe C, o percentual é de 22%.
Sobre os produtos mais tentadores no supermercado, 56% dos entrevistados citaram as roupas, 43%, calçados e acessórios, e 29%, perfumes e cosméticos, mas o economista do SPC ressalta que grande parte das compras por impulso acabam passando despercebida."Os supermercados são verdadeiros paraísos para as pequenas compras e é comum o consumidor supor que uma compra supérflua de baixo valor não vai pesar no orçamento ou que ele não está agindo impulsivamente no ato da compra", alerta Borges.

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