Arquivo FolhaTributo indigestoPaulo Feijó, presidente da Abras: ‘É impossível absorver o imposto’’

A Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) já começa a ser repassada para os preços dos produtos vendidos nos supermercados. Nas contas da Associação Brasileira dos Supermercados (Abras), o impacto da CPMF nos preços ao consumidor será de 0,33%. Neste cálculo não estão computadas despesas referentes às outras transações feitas na cadeia de produção.
Desde o início de janeiro, por exemplo, os fabricantes de cervejas e de refrigerantes aumentaram o preço de seus produtos entre 5% e 10%, conta o vice-presidente da Associação Brasileira de Supermercado (Abras), Armando Peralta.
As indústrias de alimentos e de artigos de higiene e limpeza também começaram a apresentar tabelas com reajustes entre 2% e 5%, diz ele. Nos dois casos, os fornecedores alegam defasagem de custos, mas os novos preços embutem a despesa com o novo imposto, na avaliação do vice-presidente da Abras.
O superintendente do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja, Marcos Mesquita, admite que as indústrias mais representativas do setor aumentaram entre 7% e 9% os preços a partir do dia 20 do mês passado, mas não de forma generalizada. Depois de quase um ano com preços estáveis, as empresas decidiram recompor margens, mas esse reajuste não inclui a CPMF, diz ele.
‘‘É uma inverdade dizer que aumentamos os preços por causa da CPMF’’, afirma o presidente da Abipla, associação que reúne os fabricantes de produtos de limpeza, João Locoselli. Ele não descarta, porém, a possibilidade de algumas empresas isoladamente terem reajustado preços por causa de outros aumentos.
A Associação Brasileira da Indústria da Alimentação (Abia) não confirma os aumentos de preços. Segundo o presidente da entidade, Edmundo Klotz, se houve apresentação de novas tabelas de preços, o reajuste não se deve apenas à CPMF, mas a outros aumentos de custos, como dos combustíveis, por exemplo.

Venda das marcas
que elevaram os
preços chegou a
cair à metade


Há duas semanas, o diretor de assuntos corporativos da Gessy Lever, Ronald Rodrigues, afirmou que o repasse da CPMF iria depender do comportamento dos custos. Na mesma época, o diretor de vendas de produtos industrializados da Sadia, José Mayr Bonassi, ‘‘avaliava’’ o repasse.
Os aumentos de preços da cerveja e do refrigerante estão sendo repassados para o consumidor final, diz Peralta. ‘‘Nas marcas em que o preço foi reajustado, as vendas caíram para menos da metade. Já as novas listas dos alimentos e dos produtos de higiene e limpeza não estão sendo aceitas pelos supermercados’’.
‘‘É impossível querer absorver esse imposto’’, afirma o presidente da Abras, Paulo Afonso Feijó. Ele conta que as empresas estão colocando a despesa com a CPMF em suas planilhas de custos.
CombustívelA Petrobrás não repassará aos preços da gasolina, diesel e álcool combustível produzidos em suas refinarias a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Essa garantia foi dada ontem pelo ministro de Minas e Energia, Raimundo Brito. ‘‘A Petrobrás não vai repassar porque eu não vou autorizar’’, disse Brito. Segundo técnicos do ministério, assim os distribuidores e donos de postos terão menos motivos para repassar a CPMF.

mockup