Os supermercados estão sendo cada vez mais forçados a aceitar cartão de crédito, até como estratégia para estimular a venda dos seus produtos. Apesar da antiga briga com as administradoras por causa das taxas de administração, as redes já vêem o cartão como importante forma de pagamento.
O Carrefour, uma das últimas grandes redes que não aceitava o dinheiro de plástico, se rendeu a ele. Decidiu fazer um teste em duas lojas do interior paulista - Campinas e Valinhos -, que começaram a aceitar cartões com as bandeiras Diners, Visa e Mastercard.
A estratégia da empresa é passar a aceitar cartões em todas as 49 lojas, fato que deve acirrar a disputa entre as grandes redes. Não é para menos. O Carrefour, que faturou cerca de R$ 5 bilhões em 96, participa com cerca de 10% do faturamento do setor supermercadista brasileiro, avaliado em R$ 50 bilhões. ‘‘O Carrefour vai dar uma grande puxada nos negócios com cartões nos supermercados, avalia Omar Assaf, presidente da Apas (Associação Paulista dos Supermercados).
Pelos cálculos da entidade, os cartões participam com 7%, em média, do faturamento dos supermercados e pode chegar a 12% com a entrada do Carrefour.
No grupo Pão de Açúcar, os cartões já representam 17% do faturamento, de aproximadamente R$ 3,1 bilhões em 96. Há um ano, participava com 12%. O percentual deve chegar a 20% e estabilizar, diz Aymar Giglio, gerente-geral de meios de pagamento do grupo. Segundo ele, o cartão de crédito pode ser uma forma de estimular as vendas. ‘‘Estudos mostram que o cliente que compra com cartão é mais fiel e gasta mais. O tíquete médio é de R$ 100.
Levantamento feito pelo Ibope-NPD, com 3.900 pessoas das classes A, B e C, mostra que os usuários de cartão na faixa de 25 a 49 anos chegam a gastar de R$ 220 a R$ 314, em média, por mês. A Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartão de Crédito e Serviços), informa que 420 mil estabelecimentos comerciais aceitam cartão de crédito no País, o que resulta num movimento de US$ 27 bilhões (em 97). A rede Barateiro, com 33 lojas, já aceita cartão há dois anos. Do faturamento da empresa, de R$ 576 milhões em 97, esse meio de pagamento já participa com 14%. Há um ano, esse percentual estava em torno de 9%, e há dois, em 3,7%.
José Augusto Santana, diretor-presidente, diz que ainda há espaço para chegar a 20%. Por acreditar nisso, a rede já está testando em uma das suas lojas o seu próprio cartão, com a bandeira Mastercard. No Paes Mendonça, rede com 35 lojas, o cartão de crédito detém cerca de 40% da venda, de R$ 950 milhões no ano passado. Em 94 correspondia a 28%, informa Kiyoshi Taneno, diretor.

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