Arquivo FolhaDescapitalizaçãoMoacir Moura: ‘‘As pessoas vão mais ao supermercado e fazem compras menores. Ninguém estoca produtos’’Com um crescimento estimado de 5% para este ano, o setor de supermercados está investindo em novas estratégias de venda para atrair os consumidores. Os cerca de 6,8 mil representantes de supermercados de todo o Estado que participaram da 16ª Convenção Paranaense de Supermercados (Mercosuper 97), chegaram a conclusão que os clientes estão mais exigentes e por isso é necessário investir em qualidade. O encontro terminou domingo à noite, em Curitiba.
Segundo avaliação dos supermercadistas, o perfil do consumidor mudou após a estabilização da economia. ‘‘O cliente não quer apenas bons preços, ele quer qualidade e variedade de produtos’’, afirmou o secretário-executivo da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), Moacir Moura. Ao contrário do período anterior ao Plano Real, as pessoas estão indo mais vezes ao supermercado e fazendo compras menores. A época de estocar produtos em casa praticamente acabou.
O balanço da Apras mostra que houve um crescimento de 27% no volume de vendas, no ano passado. O faturamento médio foi de R$ 46,5 milhões. Os supermercados paranaenses ficaram em média com 6% deste total.
Hoje, há 1,1 mil estabelecimentos em todo o Estado, sendo que 230 estão na Região Metropolitana de Curitiba. Na feira, estavam presentes 128 expositores. Representantes da indústria alimentícia da Argentina participaram do Mercosuper pelo terceiro ano consecutivo. A exposição foi uma das maiores já realizadas. A Apras calcula que o movimento foi 30% superior ao ano passado.
Além das discussões de como atrair mais clientes, os supermercadistas discutiram os problemas econômicos que enfrentam. Uma das principais reclamações é a carga tributária, que eles julgam excessiva. ‘‘Os produtos alimentícios têm uma tributação média de 32%, enquanto em países desenvolvidos, como os Estados Unidos, o índice é de 7%’’, reclamou Moura.
Outro problema é a burocracia para importar produtos, mesmo os que vêm do Mercosul. Segundo o secretário-executivo da Apras, o Mercosul está mais no ‘‘papel’’ do que na realidade. Todos os problemas e as conclusões do encontro serão colocados num documento, que vai ser enviado ao governo federal e à bancada paranaense no Congresso.

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