Agência Estado
De São Paulo
A participação dos produtos importados deve cair pela metade no primeiro Natal após a desvalorização cambial. O presidente da Associação Brasileira dos Supermercados (Abras), José Humberto Pires de Araújo, estima que os importados vão responder por apenas 1% das vendas totais do setor, contra os 2% verificados no ano passado. ‘‘As empresas estão sendo mais seletivas e comprando no exterior apenas produtos que não podem ser substituídos por similares nacionais’’, explicou Araújo na abertura da 33ª Convênção Nacional de Supermercados – Abras 99, no Rio.
O encolhimento do mercado de importados animou alguns setores que estavam sendo prejudicados pela concorrência internacional. A Perdigão espera um crescimento de 10% nas vendas de chester e de 20% nas de presunto tender e pernil durante as festas de fim de ano. ‘‘A desvalorização reanimou o mercado interno e agora estamos recuperando espaço’’, afirmou o diretor de relações do mercado da empresa, Ricardo Menezes.
Apesar do otimismo da Perdigão, Araújo acredita que o setor vai encerrar o ano com uma queda nas vendas em relação ao ano passado. Ele não quis estimar o valor, mas afirmou que o volume será ‘‘um pouco menor’’ em função do cenário econômico. A Abras espera repetir o faturamento de 98, quando movimentou R$ 55,5 bilhões. Os números do setor até agosto serão divulgados na quinta-feira.
Desde janeiro, o setor de massas também tem verificado queda nas vendas dos produtos importados. A participação das massas estrangeiras na produção já tinha voltado aos níveis normais depois da explosão de vendas em 1995 e 1996, mas depois da desvalorização caiu mais. ‘‘A importação foi 37% menor de janeiro a maio’’, afirmou o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Massas Alimentícias (Abima), Aluisio Quintanilha. Em maio, a queda foi de 93%. Mas Quintanilha prefere não trabalhar com esse patamar de queda para o resto do ano porque não tem números mais recentes.

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