Supermercados ficam com maior lucro das frutas
Oswaldo Petrin
As grandes redes de supermercados são responsáveis por 80% das frutas comercializadas na Ceagesp. Se os produtores não formarem grupos e entrarem no mercado, ficarão sujeitos aos interesses dos intermediários. Estudos da Sociedade Brasileira de Fruticultura mostram que cada fruta tem um encarecimento médio de 200% após sair das mãos do produtor. O mamão formosa fica até 900% mais caro. Isto inibe o consumo e reduz a renda do produtor. O alerta foi feito pelo presidente da Sociedade Brasileira de Fruticultura, Carlos Ruggiero, ao participar, ontem, da abertura da Reunião Técnica de Pesquisa em Maracujazeiro, no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar).
Cerca de 60 pesquisadores de 21 instituições de pesquisa de 10 Estados estão participando da Reunião Técnica, no Centro de Difusão de Tecnologia do Iapar. O evento foi aberto de manhã pelo presidente do Iapar, Florindo Dalberto. Falaram, além de Dalberto, o presidente da Sociedade Brasileira de Fruticultura; o diretor técnico e científico do Iapar, Rogério Cardoso; o líder do programa fruticultura, Rui Pereira Leite, e representante da Embrapa, todos destacando o papel da tecnologia na fruticultura, como fator de qualidade, mercado e renda da atividade agrícola.
O cultivo do maracujá no Brasil ocupa 28.336 hectares; no Sul, 2.300 ha e, no Paraná, 794 ha. São 804 produtores, com área média de um ha. O maracujá é cultura de ciclo curto e de rápido retorno, além de empregar mão-de-obra. A produção paranaense se destina ao consumo in natura por falta de indústria para o produto. O Paraná apresenta boas condições de solo e clima para que a cultura se desenvolva. No entanto, fatores como doença (bacteriose), uso de sementes de qualidade inferior e oferta irregular do produto concorrem contra a expansão da cultura.
Com bases nesse diagnóstico, a pesquisadora Neusa Maria Colauto Stenzel, coordenadora do evento técnico, considera fundamental pesquisas que investiguem problemas como bacteriose e a seleção de materiais genéticos de qualidade superior, o que irá contribuir para a expansão mais segura do maracujá no Paraná.





