Vânia Casado
De Curitiba
O setor supermercadista avalia o ano de 1999 como o pior ano do Plano Real, que deverá apontar uma queda nas vendas de 2%. No Paraná, que tem uma participação de 6% a 7% do faturamento de todo o País, a situação não será diferente disse o presidente da Associação Paranaense de Supermercados, Ruy Senff. Na avaliação da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), não houve queda no volume de vendas, mas sim a substituição de produtos mais caros por marcas mais baratas, o que puxou o faturamento para baixo.
Conforme previsão da Abras o faturamento dos supermercados deve atingir R$ 65 bilhões em 1999, o que corresponde a uma perda real de 2% em relação ao movimento registrado em 98, quando os supermercados faturaram R$ 55,5 bilhões. Isso porque a entidade considera que o faturamento desse ano tem que ser deflacionado pelo IGP-DI(Índice Geral de Preços) que foi de 20%.
O setor espera reverter essa queda no faturamento para um aumento nas vendas entre 3% a 4% no ano 2000. Mas essa recuperação é esperada somente a partir do segundo trimestre do ano porque a comparação dos primeiros meses do ano, tendo como base os primeiros três meses de 99 ainda deverá apresentar resultados negativos. Para recompor as vendas, a Abras aposta na incorporação de novos consumidores, situação que só vai ocorrer com a queda dos juros e readequação do câmbio.
Para a Abras, o número de unidades vendidas até aumentou em 99, mas o consumidor comprou produtos mais baratos porque seu orçamento permanece bastante apertado. Conforme Ruy Senff, que também é vice-presidente da Abras, o consumo de alimentos foi seriamente afetado pelo desemprego, juros altos, alta do câmbio, como todos os demais setores da Economia. ‘‘ Para os supermercados o ano de 99 foi difícil’’, resumiu.
Como se trata de um setor que sempre ouviu os recados do consumidor, as empresas trataram de oferecer marcas alternativas mais populares às líderes. Uma mostra disso foi no mercado de bebidas, onde muitas marcas nobres de refrigerantes foram substituídas por tubaínas.
Outra alteração de consumo ocorrida esse ano foi ditada pela variação cambial. Com isso os consumidores abandonaram o consumo de produtos importados. Eles chegaram a representar 4% no faturamento dos supermercados no início do Plano Real. Em 98, essa participação caiu para 2% e em 99 deve atingir apenas 1% no faturamento total dos superamercados.

mockup