Supermercados esperam zerar perdas neste semestre
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quarta-feira, 27 de agosto de 2003
Sandra Hahn<br> Agência Estado 
Porto Alegre - O setor de supermercados espera zerar, no segundo semestre do ano, a queda real de 1,50% nas vendas acumulada nos primeiros sete meses de 2003. A recuperação mais expressiva deve vir no último trimestre do ano, previu ontem o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Carlos de Oliveira. ''Se zerar esta conta, já consideraremos a performance positiva'', avaliou Oliveira, ao comentar os dados do índice nacional de vendas do setor, divulgados ontem.
O indicador registrou crescimento de 4,11% em julho, contra junho - deflacionado pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A comparação carrega muito efeito sazonal, explicou o dirigente. Oliveira ressaltou, contudo, que o setor ampliou a queda acumulada no ano, que estava em 1,11% em junho, para 1,50% em julho. Mesmo assim, ele disse que está mantida a previsão de recuperação no segundo semestre, desde que haja o suporte de algumas medidas macroeconômicas.
Oliveira citou, entre estas medidas, a queda continuada dos juros, a aprovação das reformas e a oferta de microcrédito. A queda de 1,50% das vendas - também deflacionada pelo IPCA - representaria uma perda de R$ 1 bilhão no faturamento dos supermercados, se o setor mantivesse em 2003 a mesma performance de 2002 neste período de comparação, calculou Oliveira.
Além das ações macroeconômicas, medidas internas também terão efeito nas vendas. Os supermercados estão ampliando a oferta de produtos e de linhas diferenciadas, assinalou Oliveira. A abertura de hipermercados reforça essa estratégia. Os consumidores que antes compravam eletrodomésticos e têxteis - produtos de maior valor agregado - em lojas especializadas estão buscando os hipermercados, segundo ele. Oliveira disse esperar um Natal melhor do que o de 2002, prejudicado pela volatilidade do câmbio.
O setor enviou ontem ao Congresso uma proposta para a reforma tributária. Entre outros itens, ela pede a desoneração de produtos da cesta básica, ampliando sua composição para itens de higiene, e a eliminação da CPMF. O texto da reforma, aprovado na comissão especial da Câmara, tem coisas positivas, disse Oliveira, citando a redução de alíquotas do ICMS. A Abras discorda de alguns itens, afirmou o dirigente, sem especificar estes pontos.


