Curitiba - O setor de supermercados de Curitiba e Região Metropolitana espera fechar o ano com um crescimento real de vendas - já descontada a inflação - de 8% a 9%. No primeiro semestre do ano, o segmento fechou com resultado positivo de vendas de 6% e acima da média nacional que foi de 5,4%. Uma das justificativas para este desempenho pode ser a maior concentração da classe C na região que representa 50% dos lares e que contribuiu com 63% das vendas. Além disso, o faturamento dos supermercados foi impulsionado pelo aquecimento da economia, aumento do salário mínimo e da renda em geral que leva a um aumento de consumo.
No Brasil, as redes supermercadistas tiveram um lucro líquido de 2,3% em 2009 dentro do ranking que participam 500 empresas ligadas a Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Caso seja considerado o aumento nominal de vendas (sem descontar a inflação), no Brasil, houve crescimento de 10,2% e, em Curitiba, de 10,8%.
O presidente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), Pedro Joanir Zonta, lembrou que o primeiro semestre do ano sempre é mais fraco em vendas do que o segundo. Ele explicou que isso acontece porque, no começo do ano, o consumidor tem muitos encargos com pagamento de impostos e com educação.
A melhora da renda tem permitido ao consumidor comprar produtos que não colocava no carrinho como queijo e iogurte. Além disso, o preço de alguns itens caiu, como foi o caso do leite que custava cerca de R$ 2,60 o litro em agosto de 2009 e hoje sai por cerca de R$ 1,30. A executiva de atendimento ao varejo da Nielsen Brasil, Samanta Puglia, lembrou que as indústrias estão fabricando, por exemplo, iogurtes mais acessíveis, com embalagens maiores que rendem mais e, portanto, voltadas para a classe C.
Em Curitiba, os produtos com mais destaque em vendas no primeiro semestre foram eletrônicos (19,4%) devido à Copa do Mundo, seguido de perfumaria (13,3%) e limpeza (13,3%). Os televisores tiveram crescimento de 61,8%.
Dez categorias contribuíram com 41,5% do crescimento total de vendas: leite (14,7%), açúcar (57,1%), refrigerante (8,1%), aperitivo salgado (24,5%), cervejas (6,7%), chocolate (10,6%), carnes preparadas (16,6%), iogurtes (12,7%), vinho (20,8%) e papel higiênico (12,3%). Refrigerantes, aperitivos e cervejas foram impulsionados pela Copa.
O superintendente da Apras, Valmor Rovaris, destacou que a minirreforma tributária do governo do Estado, que reduziu o percentual de ICMS para 95 mil itens a partir de abril de 2009, também ajudou a reduzir os preços do setor em até 8,6%. Para Zonta, as vendas foram elevadas com a abertura de novas lojas no setor. Hoje, o Paraná conta com 2.772 lojas. No Brasil, os preços para o consumidor tiveram aumento real de 0,5% no primeiro semestre.

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