Supermercados esperam recuperar faturamento
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domingo, 04 de dezembro de 2005
Vera Dantas<br>Agência Estado 
São Paulo - A expectativa dos supermercados de superar quatro meses seguidos de queda de vendas se concentra no Natal. As promoções acertadas com a indústria, a queda de preços dos produtos importados, a redução da taxa de juro e o aumento da oferta de crédito são as apostas do varejo para estancar a perda de faturamento. Os supermercados projetam vendas 4% superiores a dezembro de 2004.
O último levantamento divulgado pela Associação Brasileira dos Supermercados (Abras) revela, descontada a inflação, queda real de quase 3% nas vendas de outubro em relação a igual período no ano passado. É o segundo pior resultado do ano. O número de novembro deve ser novamente negativo. Na comparação mês a mês em relação a 2004, as vendas mostram redução de 1,39% em setembro, de 0,66% em agosto e de 0,16% em julho. No acumulado até outubro, o crescimento é de 1,60%, mas vem desacelerando desde abril.
''No início de 2005, a projeção era fechar o ano com um aumento de vendas de 5% em relação a 2004. Mas ela já foi refeita para 2%'', diz o presidente da Abras, João Carlos de Oliveira, para quem, de maio até setembro, a deflação nos preços dos alimentos pesou no resultado dos supermercados. Mesmo grandes redes, como o Pão de Açúcar sentiram o reflexo.
''Mas não foi só isso. A renda do consumidor não cresceu e é cada vez mais dividida. O resultado negativo do PIB no terceiro trimestre espelha bem a situação de dificuldade.''
O varejo espera este mês recuperar parte das perdas, ajudado por uma queda de 20% nos preços dos importados, por um início de redução dos juros e por uma oferta de crédito mais consistente ante dezembro passado. O Pão de Açúcar, por exemplo, planeja aumentar as vendas em 30%, só com produtos sazonais e presentes.
As financeiras e os supermercados foram mais agressivos ao fechar parcerias este ano. Nas duas semanas que antecedem o dia 25, a expectativa é que as vendas cresçam de 10% a 12% em relação a 2004. As grandes redes de supermercados acreditam também que o ânimo do consumidor será influenciado pelas ofertas dos importados. ''Eles podem servir até para balizar preços de produtos nacionais nas negociações com os fornecedores, como no caso de vinhos'', diz Oliveira.
Os importados aumentam sua participação no mix das prateleiras de 1,8% no ano passado para 2,2% este ano. A oferta no volume nos supermercados é 15% superior a 2004. ''Será o Natal dos importados e da ampliação do crédito.''


