O 1º Fórum Municipal de Defesa da Economia Popular, realizado ontem em Maringá, não deve mudar a situação dos pequenos produtores que reclamam dos preços praticados pelos supermercados da cidade. Reunindo representantes dos produtores, Emater, Secretaria de Agricultura e Associação Paranaense de Supermercados (Apras), o evento levou a debate a prática de ''sub-preços'' de produtos primários. ''O pequeno não tem mais onde vender'', afirma Paulo Pimenta, da Associação da Feira do Produtor de Maringá.
Junto com o Sindicato dos Feirantes da cidade, a entidade vem ''denunciando'' a prática de sub-preço dos supermercados desde o início do ano. ''Os mercados antes vendiam a preço abaixo do custo apenas na quarta-feira. Agora é todo dia'', reclama. Pimenta compara ainda que as promoções, normalmente de ítens com grande procura como legumes e verduras, são comercializados a centavos. ''O que prejudica os que não tem volume para oferecer'', diz.
Os feirantes reclamam ainda que os supermercados compram boa parte de hortifrutis fora da cidade. ''Já quebraram os sacolões, as quitandas e alguns supermercados. Agora é a nossa vez e depois os açougues e padarias'', avisa Pimenta. O secretário de Agricultua de Maringá, Elson dos Santos, diz que o município está preocupado com a situação. ''Temos que garantir a segurança alimentar'', afirma.
Dados da secretaria mostram que o município tem pouco mais de mil produtores, 80% deles pequenos, com menos de 10 alqueires, e quase 500 produzindo folhas e legumes. ''Sem mercado este pessoal quebra'', alerta. O agrônomo Jorge Ogassawara, da Emater, deu um ''puxão de orelha'' nos produtores que reclamam. Ele fez comparativo de preços, e alertou que para se manter no mercado, o pequeno tem que ampliar a produção.
Para o superintendete da Apras no Paraná, Valmor Rovaris, a situação de Maringá é a mesma do país. ''O mercado do setor verajista é muito competitivo, e a prática de preços baixos acontece com todos os ítens das empresas e não apenas dos hortifrutis'', alega. Ele compara ainda que nos últimos anos, a venda de verduras e legumes cresceu 69% apenas em Curitiba. ''Graças às promoções dos supermercados, e o que significa melhor alimentação e qualidade de vida ao consumidor'', defende. Rovaris acha que com o consumo crescente, o produtor tem que saber negociar.

mockup