Arquivo FolhaNovo perfilFeijó, da Abras, atribui o recuo das vendas ao uso menor de cheques pré-datados, que são menos aceitos por causa da inadimplência, e à opção pelo consumidor de compra de bens duráveis, em substituição aos produtos de supermercadoO faturamento do setor de supermercados vem apresentando desaceleração desde junho e deve ter crescimento real (descontada a inflação) próximo de zero este ano. A informação foi dada ontem, no Rio, pelo presidente da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), Paulo Feijó, na abertura da Abras 97 (feira anual do setor). De acordo com ele, o crescimento real acumulado até julho é de 1,18%, em comparação com os sete primeiros meses do ano passado. ‘‘Em agosto, a tendência também foi de desaceleração. Nossa expectativa é que o crescimento acumulado caia para menos de 1% nos oito primeiros meses do ano’’, afirmou Feijó. No ano passado, o crescimento foi de 2,61% em relação a 95.
O faturamento global dos supermercados, sem levar em conta a inflação deste ano, deve subir de R$ 46,8 bilhões, em 96, para R$ 50 bilhões, em 97. O presidente da Abras atribuiu a desaceleração a dois fatores: a desativação gradual das vendas com cheques pré-datados, devido à elevada inadimplência nesse tipo de pagamento, e a destinação maior de recursos, por parte da população, para o pagamento de compras de eletrodomésticos, em detrimento do consumo dos produtos típicos de supermercados.
Outra tendência constatada pela Abras é o retorno dos consumidores aos supermercados grandes (lojas com mais de dez caixas). Os grandes supermercados alcançaram, em 96, 50,8% do faturamento do setor, rompendo pela primeira vez a barreira dos 50%. Este ano, o faturamento dos hipermercados (lojas com mais de 50 caixas) deve representar 15,8% do total do setor, contra 14,7% em 96 e 13,6% em 95.
Segundo João Carlos Lazzarini, da AC Nielsen (empresa de consultoria que faz pesquisas para a Abras), os pequenos supermercados ganharam espaço nos dois primeiros anos do Plano Real porque o consumidor, com o fim da inflação, trocou as grandes compras de mês por compras semanais ou quinzenais em lojas menores.

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