A desvalorização do real já está pressionando os preços dos produtos de primeira necessidade. Supermercadistas consultados ontem em Londrina admitiram que dificilmente não ocorrerá uma subida de preços nas gôndolas. O óleo de soja, a farinha de trigo e o arroz importado - comprados após a alta - já foram repostos nas prateleiras com novos valores. E os consumidores começam a sentir a diferença na ponta do lápis (leia nesta página). ‘‘Quase todas as negociações estão amarradas ao dólar, não podemos achar que esta desvalorização não vai ter reflexos’’, afirmou ontem à Folha o diretor regional da Associação Paranaense dos Supermercados (Apras), Ademar Vedoato. Diretor da rede Viscardi, com 13 lojas na região de Londrina, o empresário acredita que os custos maiores serão repassados à medida em que os supermercadistas forem repondo os estoques.
‘‘Estamos todos torcendo para que os preços não subam, mas, infelizmente, não é o que vai ocorrer’’, afirmou Vedoato. Segundo ele, o problema só pode ser atenuado com uma intervenção por parte do governo, que iniba a valorização da moeda americana, em detrimento do real.
O diretor da rede Muffato, Everton Muffato, disse ontem que a alta pode ser sentida nas visitas dos fornecedores. ‘‘É uma pressão geral’’, afirmou o empresário. Segundo ele, a alta não se dá somente nos artigos importados, mas também nos nacionais, já que a grande maioria das matérias-primas acaba vindo de fora.
Ainda segundo Muffato, nas 10 lojas da rede a meta é evitar remarcações. O problema, afirmou o empresário, é que isto pode levar à falta de produtos. Em anúncio publicado ontem na Folha o Hipermercado Carrefour comprometeu-se publicamente junto aos clientes a rejeitar reajustes de fornecedores, mesmo que isso provoque desabastecimento de determinados itens.
No comunicado, que se repetiu em todas as regiões onde o hipermercado atua no País, a rede admite que ‘‘eventuais falhas podem ocorrer porque alguns fornecedores não querem honrar compromissos assumidos antes dos últimos ajustes econômicos’’. No comunidado, o Carrefour diz que informará aos clientes as razões da ausência do produto.
Nas lojas da periferia da cidade, a pressão por novas altas também já está sendo sentida. No supermercado Vivi Xavier, localizado na zona norte da cidade, o proprietário Odair Basseto disse que os produtos ‘‘com matéria-prima importada’’ acabarão tendo custos maiores. ‘‘Os mais pobres vão ser os mais atingidos, neste primeiro momento, porque são os produtos de primeira necessidade os que devem ter aumento’’, afirmou o empresário. A farinha de trigo subiu cerca de 20% e óleo de soja já está sendo vendido cerca de 27% mais caro, segundo ele.

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