Para não assustar a clientela, alguns pequenos supermercados de Londrina declararam guerra aos reajustes sem justificativas. Esta semana o consumidor percebeu que determinados produtos sumiram das prateleiras. No lugar estão avisos aos clientes de que a mercadoria não foi reposta porque o aumento. imposto pelo fornecedor, foi abusivo.
‘‘Estamos procurando evitar subir os preços e por isso temos endurecido com alguns fornecedores’’, afirmou ontem o responsável pelo setor de compras da rede Santarém, que tem quatro lojas na cidade, Nelson Tosti. Ele informou que produtos como a farinha e o óleo de soja, após a crise cambial, em meados de janeiro, acabaram subindo por consequência da elevação do dólar. Mas há casos em que os reajustes não têm justificativas, afirma.
‘‘Todo repasse significa um castigo para o próprio supermercadista, que vai ter de se justificar com a clientela’’, afirmou. Entre os produtos que subiram e não estão sendo repostos estão algumas marcas de sabão em pó, informa o empresário, que subiu em média 17%. O sabão em pedra também ficou mais caro. Em média, 22%.
O vice-presidente da Associação Londrinense dos Supermercados (Ales), José Carlos Marques, disse ontem que a não reposição do estoque não é uma definição da categoria. ‘‘Cada empresário toma a postura que melhor entender’’, afirmou o vice-presidente da entidade, que congrega 40 pequenos e médios supermercados da cidade. Segundo informou, a carne acabou subindo após a alta do dólar e todos os estabelecimentos decidiram repassando a alta para não deixar faltar o produto.
Segundo ele, a lei de mercado deverá se encarregar de fazer com que os produtos que estão sendo repassados com reajustes abusivos retornem ao preço anterior, por absoluta falta de mercado. ‘‘A partir de um momento que a mercadoria não vende, o preço automaticamente cai’’, afirmou. Ele prevê que dentro de 60 dias os fornecedores deverão começar a rever os reajustes que aplicaram, sem justificativas.

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