Curitiba A pauta da audiência pública da CPI dos Alimentos, cuja terceira reunião sobre o setor da suinocultura no Estado foi realizada ontem na Assembléia Legislativa, teve que ser mudada na última hora. A CPI havia convidado os diretores das principais redes de supermercados instaladas no Paraná para ouvir explicações sobre denúncia dos suinocultores, feita na semana passada, dando conta das altas margens de lucro do setor varejista, enquanto os produtores estariam trabalhando no vermelho.
Como apenas o representante do Grupo Soane, José Luiz Paixão Cortes, atendeu o convite da CPI, a reunião acabou se concentrando em cima de itens referentes a ações dos governos estadual e federal. Segundo o presidente da CPI, deputado estadual Orlando Pessutti (PMDB), a comissão, agora, irá convocar novamente os representantes dos outros mercados (Wall Mart, Carrefour, Pão de Açucar e Condor) para que compareçam na sessão da próxima segunda-feira, bem como para participar de reuniões que serão realizadas nesta semana.
Segundo denúncias dos suinocultores, a margem de lucro dos supermercadistas na comercialização da carne suína saltou de 22% para 62% entre dezembro do ano passado e agosto deste ano. No mesmo período, segundo os criadores paranaenses, o prejuízo acumulado pela suinocultura atingiu 40%. Por isso, o objetivo do setor é fazer um plano emergencial entre as partes que garanta melhor preço dos suínos para os produtores.
Entre uma lista de dez reivindicações encaminhada aos deputados na última sessão da CPI, pelo menos um ponto acabou em consenso entre as partes. O diretor da Coordenação da Receita Estadual da Secretaria Estadual da Fazenda, João Manoel Delgado Lucena, comprometeu-se a readequar a pauta de cálculo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que passa a ser reduzido em cerca de 20% a partir de hoje tanto para o suíno vivo como para o leitão gordo vendidos para fora do Estado.
''Essa já é uma primeira resposta positiva da CPI para os suinocultores'', afirmou Romão Royer, presidente da Associação Paranaense dos Suinocultores, lembrando que a decisão vai beneficiar os produtores responsáveis por uma venda média de 1,2 milhão de cabeças para outros estados. Hoje, segundo ele, o ICMS cobrado na venda desses animais é baseado em um preço médio, o que encarece os impostos para a maioria.

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