Supermercados avaliam reajuste de preços
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 31 de julho de 2002
Agência Estado 
Rio - A escalada do dólar já começa a gerar rumores de aumentos de preços no varejo e a elevar para cima as projeções para a inflação deste ano. O consumo reduzido está limitando os repasses para os consumidores até o momento, mas o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), José Humberto Pires de Araújo, disse que o comportamento do câmbio nos próximos 15 dias será fundamental para decisões sobre possíveis reajustes, que ocorreriam a partir de setembro. ''Se o quadro continuar como está, em setembro uma alta de preços será inevitável para os produtos vinculados ao dólar'', disse.
O presidente da Abras explicou que cerca de 30% do total de produtos comercializados nos supermercados sofrem os efeitos da elevação do dólar, com destaque para os derivados do trigo, os que têm embalagem de alumínio e artigos de limpeza.
Segundo Pires de Araújo, a definição sobre o repasse ou o porcentual de aumento dependerá de cada produto e fornecedor. Os resultados da inflação medida pelo Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) de julho apontam que os preços no atacado, puxados especialmente pelo dólar, subiram duas vezes mais (6,33%) do que no varejo (3,80%) no acumulado deste ano, ou seja, ainda não há repasses.
A necessidade de espera do desenrolar dos acontecimentos nos próximos dias antes de aumentos de preços foi defendida também pelo presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Sebastião Mauro Figueiredo Silva.
A iminência dos aumentos para o consumidor de produtos vinculados ao dólar e a perspectiva de possível repasse da escalada da moeda norte-americana para os preços dos combustíveis levaram também a Tendências Consultoria a revisar sua estimativa para inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, meta do governo) nos próximos dias. Até o momento a projeção da consultoria é de uma variação de 5,8%, já acima do teto da meta de 5,5%.
A principal preocupação é que não seja possível evitar uma nova alta nos preços dos combustíveis diante da escalada do dólar, pois nesse caso o impacto para os consumidores será imediato.


