Curitiba - A concorrência entre supermercados, até há pouco restrita aos preços e à variedade de produtos, vem ganhando novos ingredientes nos últimos anos. Aproveitando a onda mundial de preocupação com o meio ambiente, as grandes redes que atuam no Estado têm apostado em ações de sustentabilidade para chamar a atenção da clientela. Uma estratégia que, segundo diretores das empresas e especialistas no assunto, dá pouco retorno financeiro no momento, mas que pode servir para definir as redes que terão vantagens competitivas a longo prazo.
No Paraná, as primeiras ações de sustentabilidade visíveis ao consumidor apareceram nas sacolas. Redes como Condor e Muffato já utilizam materiais oxibiodegradáveis, que se decompõem mais rapidamente e, ao menos em teoria, são menos danosos ao meio ambiente. O uso de lâmpadas ecologicamente corretas, que consomem menos, e outras alternativas para reduzir os gastos de energia também vem sendo adotadas por várias empresas. Em Londrina, o Muffato inaugurou a primeira loja do Sul do País que classifica como ''ecológica''.
Em Curitiba, outra rede que tem apostado em ações de sustentabilidade é o Mercadorama, recentemente adquirida pelo grupo norte-americano Wal-Mart. O diretor da rede, Luiz Zacharias, afirma que as medidas adotadas pela empresa servem, principalmente, para conscientizar os clientes para que eles também possam colaborar com o desenvolvimento sustentável do planeta. ''Essa conscientização, que no Brasil está começando agora, é o nosso maior foco'', diz.
Dentro deste trabalho, a rede promoveu há cerca de 15 dias o 1º Encontro de Clientes do Mercadorama. No total, 850 clientes das lojas da rede, a maioria aposentados e donas-de-casa selecionados pelos gerentes das unidades, tiveram um dia de atividades com foco em medidas que as pessoas podem adotar em suas casas para também ajudar na sustentabilidade. Entre uma palestra e outra, os clientes assistiam também a vídeos que mostravam o que a empresa vem desenvlvendo para contribuir com o meio ambiente e a sociedade. Zacharias garante que, ao menos por enquanto, a rede não tem lucro com essas ações. Mas, com o tempo, os resultados podem aparecer. ''É um trabalho de longo prazo e que deve ser constante'', afirma Zacharias.
A opinião é parecida com a de Everton Muffato, diretor da rede Muffato e presidente da Asoociação Paranaense de Supermercados (Apras). ''A sustentabilidade é um tema de médio e longo prazo'', diz. Algumas redes esperam retorno imediato. É claro que todo negócio tem que se sustentar financeiramente, mas esse não é o objetivo no momento com essas ações'', acrescenta.
A opinião dos diretores é referendada por Yvy Karla Abbade, coordenadora do Núcleo de Responsabilidade Social do Instituto Superior de Administração e Economia da Fundação Getúlio Vargas (Isae/FGV). ''A curto prazo, há o reconhecimento de um diferencial, mas ele não traz retorno financeiro imediato'', declara. Para ela, as ações dos supermercados servem para ligar a marca das empresas à preocupação com o meio ambiente. ''Essas ações se tornam obrigatórias na agenda de qualquer empresa e deixarão de ser apenas um diferencial'', justifica.
A coordenadora diz ainda que as ações das grandes redes são importantes para ajudar na conscientização dos consumidores, como também defende Zacharias. ''As pessoas só vão entender a importância das pequenas ações de sustentabilidade se houver divulgação. Os supermercados atingem grande parte da população se neles há ações explicando essa importância, isso é peça fundamental para a educação do consumidor. Quem ganha com isso é a sociedade'', afirma.

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