Marcelo AlmeidaNovo comandoRuy Senff assumiu ontem a presidência da Associação Paranaense de Supermercados com expectativa para 98 de igualar as vendas do ano anterior. Na foto inferior, equipamentos de panificação: lançamento na feira

O recém-empossado presidente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), Ruy Senff, não está otimista em relação ao desempenho do setor em 1998. Segundo ele, neste primeiro semestre os supermercados deverão registrar o mesmo movimento de vendas em relação a igual período do ano passado. Em 1997, o faturamento do setor no País foi de R$ 50 bilhões. Senff atribui esse desempenho ao baixo poder de compra do consumidor.
A avaliação do presidente da Apras foi feita, ontem, durante a abertura da Mercosuper 98, que está sendo realizada em Curitiba com a participação de 110 fornecedores. As empresas estão lançando novos produtos e serviços para o setor supermercadista. É o caso da Trade Sistem, de informática, que programa home-pages para as empresas, e da Klabin que está lançando o guardanapo com motivos artísticos, semelhante aos produtos importados.
Enquanto o setor supermercadista está pessimista em relação ao seu desempenho, os fornecedores pensam diferente e falam até em expansão das vendas. É o caso da Conaprole, uma cooperativa de laticínios do Uruguai, que está participando do evento. Segundo o gerente de exportações da Conaprole, Silvano Laurino, a intenção da cooperativa é ampliar em 30% as vendas para o Brasil. Atualmente, a cooperativa exporta para o Brasil cerca de R$ 70 milhões por ano e a expectativa é vender em torno de R$ 100 milhões até o final do ano. Desse total, Laurino calcula que a participação do mercado paranaense é de 10%.
Para expandir as vendas, a cooperativa uruguaia está expandindo sua rede de distribuição, sendo que já existem quatro distribuidoras na região Sul do País e outras três estão sendo instaladas na Bahia, em Pernambuco e no Ceará. O otimismo de Laurino é revelado pela disposição de lançar novos produtos no mercado brasileiro. Até o final do ano, a Conaprole vai lançar sorvetes, achocolotados, creme de leite e queijos fatiados.
Outra empresa que está otimista em relação às vendas é a Perfecta Curitiba, de fornos e máquinas para panificação. A empresa lançou um forno para padarias e pequenos supermercados totalmente em aço inox, que aumenta a vida útil do equipamento em 100%. Enquanto o forno de aço normal tinha de sete a oito anos de vida útil, o novo equipamento dura em torno de 15 anos. A implantação do equipamento total de panificação, incluindo forno, formas e carrinhos, com capacidade para 810 pães, está avaliada em R$ 15.000,00.
Em sua avaliação sobre o desempenho supermercadista, Senff não manifestou otimismo com a expansão de grandes redes em Curitiba. O hipermercado Carrefour está programando uma loja no bairro Parolin, o Extra está inaugurando um hipermercado no Alto da XV e o Real, outra superloja às margens da BR-116, no bairro do Guabirotuba.
Segundo Senff, o consumidor curitibano será o grande beneficiado com a expansão de grandes redes, porque vai ocorrer um acirramento da disputa de mercado. Isso porque o mercado consumidor não está se expandindo na mesma proporção da instalação das grandes redes. Senff atribui a chegada das grandes lojas de hipermercados ao processo de industrialização da região. ‘‘ Sem dúvida nenhuma, essas redes querem marcar posição no mercado’’, resumiu. Ele não quis confirmar a instalação de filial do grupo multinacional Wal-Mart em Curitiba.
Senff salientou que as novas lojas não trarão grandes novidades ao consumidor. Isso porque mais de 50% delas são ocupados com móveis e eletrodomésticos e os outros 50%, com a área de alimentação e bazar, a mesma capacidade das redes menores já instaladas para o setor. Para Senff, as redes menores de supermercados competem em igualdade com os hipermercados, com a mesma oferta de produtos.

mockup