Supermercadistas estão cautelosos com vendas de Natal
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segunda-feira, 27 de outubro de 2003
Betânia Rodrigues<br> Reportagem Local 
A proximidade do final de ano, normalmente, enche os comerciantes de esperança. Eles acreditam que o 13º salário e o entusiasmo do consumidor serão capazes de salvar o balancete da empresa. Em Londrina, pelo menos, a experctativa não é nada animadora. Segundo Adailton Pereira, presidente da Associação Londrinense de Estabelecimentos Supermercadistas (ALES), as vendas deste setor deverão cair em relação ao mesmo período do ano passado. ''Será um Natal e Ano Novo de muita cautela'', resumiu.
Pereira representa 34 empresários de médio porte que, aos poucos, estão se preparando para as festas de fim-de-ano. De acordo com ele, o resultado do ano não estimula os comerciantes a comprarem tudo com antecedência. ''Na verdade, vendemos bem dois ou três dias e, se faltar alguma coisa, pedimos com urgência'', explicou.
Ao contrário dele, Valmor Rovaris, superintendente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), acredita que o último trimestre será marcado pela recuperação do setor. Para ele, os anúncios de deflação e os recordes da safra agrícola ajudarão os supermercados a crescerem 1% este ano. ''Deveremos contratar cerca de 4,6 mil pessoas para ocupar vagas temporárias entre dezembro e fevereiro, ou seja, 10% do total de funcionários contratados''.
Mais otimista ainda é a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) que ontem divulgou uma pesquisa realizada com 50 empresas responsáveis por mais da metade do faturamento desse setor. Em relação às compras de final de ano, 36% dos entrevistados devem aumentar seus pedidos às indústrias comparando com o mesmo período de 2002; 48% pretendem manter a mesma quantidade de encomendas; 10% comprarão menos e 6% não responderam a questão. A esperança é tão grande que atinge até os produtos importados. Trinta e quatro por cento dos empresários pesquisados disseram que vão importar, em média, 11% a mais, enquanto 46% deverão igualar os pedidos feitos em 2002 e 14% comprarão menos.
Embora acreditem na moderação dos consumidores, 54% dos entrevistados pela Fundação Abras esperam vender, em média, 11% mais que em 2002. Para isso, o setor deverá manter uma política de preços competitivos, trabalhar fortemente as ofertas e promoções, facilitar o crédito ao consumidor (reduzindo e/ou eliminando juros, prolongando prazo para pagamento), oferecer maior variedade de produtos e serviços, entre outros. Isso inclui a contratação de, aproximadamente, oito mil novos trabalhadores até dezembro.
Na opinião de Pereira, essa pesquisa não reflete a situação de Londrina onde a concorrência está muito acirrada. Uma de suas previsões, por exemplo, é que a venda de filtrados (bebidas alcóolicas à base de frutas) deverá ser 30% a 40% menor que em 2002. ''As pessoas estão com pouco dinheiro, a queda nos juros ainda não atingiu a maioria e o 13º já está comprometido com as dívidas'', concluiu.


