Supermercadista admite: produtor de leite recebe pouco
Curitiba - O representante da rede de supermercados Pão de Açúcar, Márcio Milan, reconheceu ontem em depoimento à CPI dos Alimentos da Assembléia Estadual que os produtores de leite do Paraná são mal remunerados. Mas ele considera que a indústria da embalagem longa-vida precisa rever os preços que vem praticando, já que detém o monopólio do setor no Paraná. A cadeia produtiva deve tomar providências. A indústria da embalagem precisa discutir essa questão com mais sensibilidade e profissionalismo, declarou.
Segundo Milan, os supermercados da rede Pão de Açúcar - 45 lojas espalhadas pelo País - lucram entre 8% e 10% com a venda do leite. Esses percentuais de lucratividade apresentados por Milan não convenceram os deputados membros da CPI. Por isso, os parlamentares pediram que o grupo Pão de Açúcar apresente o livro-caixa da empresa, solicitação que deverá ser atendida. Hoje nos mercados da rede o leite está sendo vendido a R$ 1,17, enquanto os produtores paranaenses estão recebendo entre R$ 0,17 e R$ 0,29 pelo litro.
Assim como o presidente da Associação Paranaense dos Supermercadistas (Apras), Pedro Joanir Zonta, que depôs na semana passada, Milan também reconheceu a existência da prática do rapel, que são as bonificações exigidas pelos mercados para expor os produtores nas suas prateleiras quando uma loja é inaugurada e durante as promoções de ponto-de-venda e aniversário.
Os deputados também esperavam para ontem o depoimento do presidente da Associação dos Fornecedores de Supermercados (Assosuper), Celso Luís Gusso, e do diretor do Grupo Wal Mart, Mário Tadeu Teixeira. Mas os dois não compareceram. Segundo o presidente da CPI, deputado Orlando Pessuti (PMDB), Celso Gusso e o diretor do Grupo Carrefour, Marcos da Silva Cunha, devem depor hoje.





