O cooperativismo norteou as discussões da 14ª edição dos EncontrosFolha, no Aurora Shopping, em Londrina
O cooperativismo norteou as discussões da 14ª edição dos EncontrosFolha, no Aurora Shopping, em Londrina | Foto: Roberto Custódio

O superintendente da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), Renato Nobile, destacou a importância de fomentar o debate político acerca do cooperativismo, para fazer com que o sistema associativista chegue a mais pessoas e gere um ainda maior crescimento socioeconômico. Palestrante principal da 14ª edição dos EncontrosFolha, Nobile citou como exemplo a mudança de classificação dos ramos de negócios a partir deste ano, para favorecer a comunicação e ampliar o alcance da representação em Brasília. O evento foi na última quinta-feira (25), no Aurora Shopping, em Londrina.

As cooperativas eram divididas até o ano passado em 13 ramos estipulados pela própria OCB. A entidade reorganizou a classificação em sete atividades neste ano, de forma a seguir o modelo usado em todo o mundo. “Isso com o intuito de fortalecer a representação das cooperativas, fazendo um enquadramento mais adequado pela condição e pelas legislações que são colocados, já que muitos ramos dependem de agentes reguladores como Banco Central [para o crédito], ANS [Agência Nacional de Saúde], ANTT [Agência Nacional de Transportes Terrestres] ou Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica]”, diz Nobile.

O superintendente da OCB classificou 2019 como um ano de transição, com a implementação final a partir de janeiro próximo. “Fizemos um trabalho primeiramente técnico, com todo o cuidado, para fazer o enxugamento [de ramos]. Percebemos que o Brasil era o único país do mundo, entre os que têm um cooperativismo atuante, que contava com essa quantidade de 13 ramos”, explicou.

A mudança não chega a ter impacto no funcionamento das cooperativas, já que a razão social é que estabelece o enquadramento da atividade. No entanto, ele contou que será possível facilitar a comunicação e compreensão da população em geral e junto a representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário em relação ao cooperativismo. Assim, a expectativa é que o setor cresça ainda mais nos próximos anos e se aproxime da realidade europeia, canadense e asiática.

Nobile lembrou também da relevância do lançamento no último dia 4 de julho do Anuário Brasileiro do Cooperativismo, depois de dez anos da última edição. “As informações que usamos em Brasília dependem das organizações estaduais. Esse sistema funciona muito bem azeitado no Paraná, mas não é a realidade do Brasil e, por isso, foi importante conseguirmos fazer esse lançamento.”

Assim, explicou, é possível mostrar como o sistema participativo é importante para tomada de decisões, com assembleias entre todo o quadro social ou de alguns delegados, além de todos os resultados socioeconômicos. “Sem viabilidade econômica não existe cooperativa, mas sem viabilidade social a cooperativa não tem razão de existir. Toda a geração de riqueza, de oportunidades e de renda feita pelo cooperativismo é inserida na localidade onde está.”

O superintendente afirmou ainda que o Sistema OCB apoia a frente parlamentar de apoio ao cooperativismo, composta por 267 deputados e 38 senadores.

CONFIGURAÇÃO

Os 13 ramos considerados até o ano passado passam a ser sete no próximo ano, já que Nobile disse que 2019 é um ano de transição. Não houve alterações nas denominações Agropecuária e de Crédito.

Em dois houve poucas alterações. Em Saúde, as cooperativas de profissionais como médicos e dentistas somente ganharam a companhia de usuários que se unem para constituir um plano, porque também são considerados como operadoras. Já em Infraestrutura, nas quais as mais comuns são as de geração e compartilhamento de energia elétrica, foi incorporada a antiga Habitacional, para construção de imóveis.

Em Consumo, ficaram quaisquer associativismos relacionados à compra de bens ou serviços, como supermercados, farmácias ou mesmo de pacotes de viagens, que antes ficavam dentro de Turismo e Lazer.

Em Transporte, o conceito foi ajustado para representar somente cooperativas de profissionais proprietários de veículos. O ramo também passa a abranger parte do antigo Turismo e Lazer, para casos de agrupamentos de donos de ônibus ou bugues.

A maior mudança foi na criação do ramo de Produção de Bens e Serviços, que reúne as cooperativas de professores e os antigos segmentos de produção, mineral, especial e parte do turismo e lazer (sem propriedade de veículos). Nesse grupo se enquadra, por exemplo, associações de reciclagem e de artesãos.

BRAÇOS DA OCB ORIENTAM ASSOCIADOS

O superintendente da OCB, Renato Nobile, explicou, no EncontrosFolha, o funcionamento do Sistema OCB, dividido em três entidades que atuam pela orientação e organização de demandas dos associados. “Cada um com uma finalidade, mas com conselhos ou diretorias independentes, para fazer a representação do sistema.

A OCB, que completou 50 anos em 2019, representa o cooperativismo junto aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de debates em organismos internacionais. Já o Sescoop (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo) nasceu para canalizar ao setor recursos dispersos dentro do Sistema S. Nobile contou que o objetivo é contribuir para que a cooperativa se adeque à legislação do setor, implemente o modelo de direção estratégica fundamentada nos valores cooperativistas, aperfeiçoe os processos organizacionais e acompanhe os resultados socioeconômicos.

“Assim como outros participantes do Sistema S, como Sebrae, estamos na possível iminência de um corte anunciado pelo ministro [da Economia, Paulo] Guedes, que usou o termo 'facada' no Sistema S”, disse, para completar que busca fazer com que o governo entenda o trabalho técnico desenvolvido.

Por fim, há o Cncoop (Confederação Nacional das Cooperativas), que é o braço sindical. A entidade debate as necessidades da categoria nos âmbitos administrativo, extrajudicial e judicial e é importante diante da quantidade de postos de trabalho que o setor gera.

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