A matemática comprova: o preço dos alimentos está caindo. Apesar de real, os consumidores não conseguem observar essa redução. Ao contrário, sempre acabam gastando mais em suas compras todos os meses. Se a princípio parece difícil compreender a questão, isso pode ser explicado porque não são só os itens da cesta básica que fazem parte das compras dos consumidores.
Ontem, a reportagem e o economista Flávio Oliveira dos Santos acompanharam dois consumidores fazendo suas compras ''de mês''. Eles estavam em em supermercado no Conjunto Cafezal, na Zona Sul, avaliado pela pesquisa como o mais barato da cidade em agosto. O caso da aposentada Fátima Lopes Brasão da Silva é bem típico.
Dos mais de 30 itens que estavam em seu carrinho, apenas cinco fazem da parte da cesta básica. Apesar disso, Fátima disse que sempre costuma gastar a mesma coisa. Alguns produtos como café, arroz, leite, açúcar, chocolate, óleo de soja, desodorante e xampu ela afirma que é fiel à marca. ''Já as outras coisas substituo quando o preço é mais barato. Há uns três meses troquei a marca de arroz porque a que eu comprava piorou a qualidade e estava cara, agora compro sempre a mesma, que é mais barata'', comentou.
A aposentada diz que deixou de fazer pesquisas de preços e que faz as suas compras sempre no mesmo supermercado. ''Parece mentira, mas hoje gasto a mesma coisa do que gastava há três anos em um supermercado do centro'', afirmou. Ontem, como a bolacha doce estava em promoção, ela estava comprando alguns pacotes a mais do que costuma levar normalmente. ''Vou guardar'', justificou.
Já o trabalhador autônomo Édino Ferreira da Silva afirma que todos os meses ele gasta de R$ 30 a R$ 40 a mais. Ele diz que não é muito fiel à marca, mas costuma fazer uma análise entre o preço e a qualidade. ''Olhamos qual arroz está mais velho, o feijão que está mais novo, o café mais cheiroso e o açúcar mais claro e mais barato'', exemplificou.
O economista Santos lembrou que se o trabalhador autônomo comprasse o açúcar no supermercado mais barato economizaria R$ 0,60 por saco de cinco quilos e R$ 0,10 por lata de óleo. ''Mas no caso dele (do autônomo) ele só economizaria R$ 5,13 se fizesse a pesquisa de preço porque ele já faz suas compras no supermercado mais barato'', avaliou. Ele lembrou que a vantagem dos supermercados dos bairros é que os preços das carnes, frutas e verduras, geralmente, são menores.(F.M.)

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