Brasília - As contas do Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central (o chamado governo central) acumularam no primeiro semestre um superávit de R$ 39,66 bilhões. Dessa forma, para a alcançar a meta de R$ 47 bilhões estipulada para o final deste ano, será preciso economizar somente R$ 7,4 bilhões no segundo semestre.
Os dados dizem respeito ao resultado primário, que é a diferença entre as receitas e despesas do governo, sem contar os gastos com juros sobre a dívida pública. O superávit acumulado até agora é 17% maior do que o do primeiro semestre do ano passado. Em junho, o superávit foi de R$ 5,89 bilhões.
Mesmo com toda a folga de recursos, o secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, informou que a intenção do governo não é aumentar os gastos públicos. Ele vinculou o desempenho ao crescimento econômico e admitiu que o governo não descarta uma elevação da meta de superávit primário se a economia continuar indo bem nos próximos meses. ''Se tivermos uma aceleração do crescimento no segundo semestre, é positivo poupar um pouco mais'', afirmou. Segundo ele, o resultado do semestre está ''dentro do programado'', mas tradicionalmente as despesas tendem a pressionar o caixa até o final do ano.
Apesar do aperto nas taxas de juros pelo Banco Central no primeiro semestre, que tenderia a desacelerar a economia, as receitas do Tesouro foram impulsionadas pela arrecadação de impostos e contribuições diretamente ligados à produção, como Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição sobre o Lucro Líquido (CSLL), que cresceram cerca de 30% em relação ao mesmo período do ano passado.
Pelo lado das despesas, houve um crescimento de 11,8% nesses primeiros seis meses, comparado ao mesmo período de 2004. Um dos destaques foi a elevação de recursos destinados a programas de reforma agrária e subsídios à agricultura, que passaram de R$ 106 milhões para R$ 504 milhões, entre os primeiros semestres deste ano e do ano passado. Os pagamentos de benefícios assistenciais (dentro da Lei Orgânica da Assistência Social), que totalizaram R$ 774 milhões neste primeiro semestre, subiram cerca de 30% em relação ao mesmo período de 2004.

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