Superávit pode ser de US$ 8,5 bi
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terça-feira, 17 de setembro de 2002
Agência Estado 
Rio - O ministro do Desenvolvimento, Sérgio Amaral, acrescentou ontem mais US$ 500 milhões à projeção para o saldo da balança comercial em 2002. Ele disse que trabalha com superávit acumulado entre US$ 8 bilhões - número informado pelo próprio presidente Fernando Henrique Cardoso na última sexta-feira - e US$ 8,5 bilhões neste ano. ''Estou tendo dificuldade em fazer previsões porque a cada duas semanas tenho que aumentá-las'', disse, referindo-se aos bons resultados da balança que vêm sendo divulgados quinzenalmente pelo Ministério.
De acordo com Amaral, o superávit previsto não contabiliza a devolução de 21 aeronaves da TAM aos proprietários estrangeiros anunciada ontem. A expectativa do mercado é que o embarque das aeronaves tenha um forte impacto positivo sobre a balança, já que elas deverão ser contabilizadas como exportações.
Para Amaral, que participou de seminário na sede do BNDES sobre os 50 anos da instituição e do Banco do Nordeste, o superávit previsto deve-se a um conjunto de fatores como a desvalorização do real e o que chamou de ''esforço organizado do governo e do setor privado para abrir novos mercados''.
Questionado se não é problemático o saldo estar fortemente vinculado à queda das importações, o ministro disse que ''é verdade que esse saldo comercial em boa medida se deve à redução da demanda, mas, aí, o Brasil não está sozinho''.
Ele completou que ''seria difícil imaginar que em um momento de queda do comércio internacional só o Brasil aumentasse as exportações de forma significativa''. Segundo Amaral, o setor privado brasileiro está preparado para dar um salto exportador tão logo o mercado mundial volte a crescer.
Intervenção - O ministro defendeu a participação do Estado na economia, primeiro, em sua palestra e, depois, em entrevista coletiva. Mas segundo ele, essa intervenção deve ser feita ''com transparência e respeito à competição''. Amaral sugeriu que o próximo governo crie uma câmara de competitividade para articular ações de diferentes ministérios e agentes governamentais, numa política voltada para melhorar as condições de competição dos produtos brasileiros frente aos concorrentes internacionais.
De acordo com o ministro, existe hoje no mundo globalizado um déficit de governança internacional que desafia órgãos como a Organização das Nações Unidas (ONU), o Banco Mundial (Bird) e o Fundo Monetário Internacional (FMI). Para ele, há hoje ''regulação de menos'' na área financeira e excesso de regulação na área comercial, elevando as barreiras de comércio.


