São Paulo O saldo da balança comercial deve cair para US$ 10 bilhões em 2007, segundo previsões do governo anunciadas ontem pelo secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Mário Mugnaini.
Se confirmada essa estimativa, a projeção de superávit comercial para 2007 representará menos da metade do saldo que a balança deve atingir neste ano, que pode chegar a US$ 22 bilhões, segundo projeções do próprio governo.
De acordo com Mugnaini, as exportações continuarão crescendo nos próximos anos e deverão atingir US$ 100 bilhões em 2007. No entanto, com a perspectiva de crescimento econômico, o secretário trabalha também com a hipótese de forte crescimento nas importações, que podem chegar a US$ 90 bilhões em quatro anos. Ele projeta para 2004, por exemplo, um crescimento entre 3% e 4% na economia brasileira.
''Se o País quiser fazer um salto de qualidade, revitalizar a indústria nacional, vai ter que trazer para cá equipamentos de última geração para os setores têxtil, eletrônico, mecânico, entre outros'', disse ele.
De acordo com o secretário, o crescimento econômico 'evidentemente' demandará também a necessidade de importações de mais insumos. ''Hoje, por exemplo, importamos cerca de 4 milhões de toneladas de nafta (matéria-prima básica da indústria petroquímica) por ano. Se o mercado interno crescer, como não há fabricação suficiente no País, teremos que importar mais.'
Para Mugnaini, o governo pode encontrar outras formas de aumentar o volume de recursos para gastos que não seja somente o superávit comercial. A redução da meta de superávit primário (economia de receitas para pagamento de juros da dívida), segundo ele, seria um caminho. ''A diminuição do superávit primário significa a irrigação momentânea em obras essenciais como infra-estrutura'', afirmou.
Na avaliação do secretário, se a indústria brasileira precisa de insumos para crescer, ''não é o governo que vai cercear'' a entrada destes produtos com ''artificialidade''.
Além disso, ele destaca que a questão do superávit primário passa pela ''mão'' do governo, mas o ritmo das importações e exportações depende das decisões e necessidades dos empresários. ''Importar produtivamente põe a economia em movimento. É isso que é importante'', disse. ''O desafio, se precisamos de mais de US$ 10 bilhões de saldo comercial, é que evidentemente teremos que aumentar as exportações'', acrescentou.
O secretário participou ontem de seminário realizado pela Federação das Indústrias dos Estados de São Paulo (Fiesp), que teve como objetivo apresentar a nova estratégia de defesa comercial do governo.
O presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), Boris Tabacof, concorda que o crescimento da economia brasileira, caso ocorra como esperado, deverá aumentar as importações, mas ele não considera a hipótese de o país vir a reduzir seu superávit comercial para cerca de US$ 10 bilhões em ''poucos anos''.
''O objetivo do comércio exterior brasileiro é conseguir constantes superávits na balança. Para se livrar da vulnerabilidade externa, que põe o País em xeque, é necessário prolongado superávit comercial'', disse Tabacof.

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