Superávit pode crescer até 33%
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quinta-feira, 03 de abril de 2003
Theo Saad<br>Agência Estado 
São Paulo - O superávit comercial brasileiro em 2003 será maior do que o do ano passado mesmo com o dólar em torno de R$ 3,20, segundo estimativa do diretor-executivo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Júlio Sérgio Gomes de Almeida. ''O superávit deverá ficar em torno de US$ 15,5 bilhões, podendo chegar até a US$ 17,5 bilhões'', previu o analista. Caso chegue aos US$ 15,5 bilhões, o aumento ante o superávit de US$ 13,1 bilhões do ano passado será de 18%; se chegar aos US$ 17,5 bilhões, totalizará 33%.
Almeida ressalvou, no entanto, que um câmbio muito abaixo de R$ 3,20 prejudicará as empresas exportadoras. ''Como o câmbio estava muito alto, os clientes pediram descontos. Quando o dólar baixa muito, esse desconto vira prejuízo'', avaliou. ''Ainda não virou prejuízo, mas diminuiu a margem de lucro.''
Almeida lembrou ainda que as exportações de oito a cinco meses atrás (tempo médio para entrega de encomendas industriais) foram feitas a um câmbio em torno de R$ 3,80.
Juros - A partir de maio o Banco Central (BC) deverá ter um ambiente favorável para cortar os juros básicos, afirmou Almeida. ''Com o dólar mais baixo, acaba a pressão inflacionária sobre os preços não-administrados, que era o que o BC vinha combatendo com os juros altos'', explicou.
Mas não só do mercado interno dependerá uma queda já em maio. ''A conjuntura internacional precisa estar favorável'', afirmou. O diretor do Iedi descartou, no entanto, que os preços não-administrados cairão aos patamares pré-alta do dólar. ''Não haverá deflação. Os preços da indústria para o varejo deverão se manter, até como forma de recompor margem de lucro, perdida em muitos casos porque os repasses de custos foram menores do que o necessário'', explicou.


