Brasília A balança comercial deverá registrar saldo positivo de US$ 17 bilhões a US$ 18 bilhões em 2003. Apresentada ontem pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Sergio Amaral, a estimativa está baseada na tendência de recuperação de preços internacionais de produtos básicos e na preservação de referências da atual política de exportações. Além disso, também está sustentada nos resultados obtidos neste ano. Até sexta-feira, a balança contabilizou superávit de US$ 13,093 bilhões, com recorde histórico das exportações, que alcançaram US$ 60,141 bilhões.
''Se não houver mudança substantiva nas condições de exportação, teremos de US$ 17 bilhões a US$ 18 bilhões de superávit no próximo ano'', afirmou. Os dados divulgados ontem indicam, segundo Amaral, que a balança facilmente registrará um saldo positivo superior a US$ 13,1 bilhões este ano.
Esse resultado trará, como impacto, uma ''reviravolta'' nas contas externas do País. O déficit em transações correntes a soma do comércio de bens e de serviços do Brasil com o exterior e um dos indicadores da capacidade do País de gerar dólares cairá de US$ 23 bilhões, em 2001, para ''pouco mais de US$ 8 bilhões'' neste ano.
''Trata-se de um resultado extraordinário, capaz de gerar uma profunda reversão no déficit em transações correntes do Brasil. A vulnerabilidade do País, medida por esse indicador, foi superada. Ficará em menos de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, meta que alguns buscavam nos quatro anos do novo governo,'' declarou.
Apesar da magnitude do saldo comercial e do elogiado desempenho exportador, os números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) escondem frustrações. A rigor, o superávit de US$ 13,1 bilhões no último ano de governo de Fernando Henrique Cardoso é equivalente ao resultado obtido em 1993, de US$ 13,299 bilhões, na gestão de Itamar Franco. Nos 8 anos de administração FHC, o Brasil registrou saldos positivos apenas desde 2001. Neste ano, o resultado foi provocado mais pela queda brutal das importações que por um desempenho brilhante das exportações.
As celebradas exportações recordes de 2002 não chegaram nem mesmo perto da meta fixada quatro anos atrás, de US$ 100 bilhões, que foi oportunamente esquecida desde 2000. Este ano, as vendas do Brasil para exterior cresceram apenas 3,3% em relação a igual período do ano passado. As importações, que totalizaram US$ 47,048 bilhões até sexta-feira, despencaram 15,3%. A estimativa de até US$ 18 bilhões de saldo comercial em 2003 leva em consideração a continuidade dessas tendências. Amaral declarou que se pode creditar a curva positiva das exportações no último semestre à desvalorização mais acentuada do real, iniciada em junho, mas também ocorreu um ''avanço qualitativo'' na balança comercial, dado pelo investimento de setores nacionais na produção para o mercado externo e no investimento estrangeiro em unidades exportadoras no País.

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