As contas do governo central, que incluem os resultados do Tesouro Nacional, da Previdência Social e do Banco Central, foram positivas em R$ 1,7 bilhão no mês de junho. Embora este seja o segundo pior desempenho do ano, no acumulado de 2001 foi possível garantir um saldo de R$ 18,6 bilhões. Esse montante supera a meta de R$ 16,7 bilhões que deveria ser alcançada apenas em agosto, segundo previsão na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
Ao ultrapassar a meta orçamentária no primeiro semestre do ano, o governo já está se precavendo da redução das receitas que poderá ocorrer daqui para frente por causa das crises de energia e da Argentina. ‘‘O segundo semestre do ano é sempre menos favorável ao desempenho das contas’’, ressaltou ontem a coordenadora-geral de Estudos Econômico-Fiscais do Tesouro Nacional, Ana Teresa de Albuquerque. Ela lembrou que em julho ocorrerão mais pressões por gastos, como o pagamento de metade do 13º salário do Poder Executivo e o reajuste da tabela de benefícios da Previdência Social, o que poderá reduzir um pouco mais o resultado primário.
Segundo ela, o objetivo do corte de R$ 1 bilhão em despesas anunciado ontem serviu para dar maior confiança de que o governo cumprirá a meta de um superávit primário (receitas menos despesas, sem contabilizar pagamento de juros) de 3% em relação ao Produto Interno Bruto. Entre janeiro e junho deste ano, o superávit primário já alcança 3,18%, de acordo com dados do Tesouro Nacional.
Do resultado apurado em junho, o Tesouro Nacional isoladamente obteve superávit de R$ 2,6 bilhões. O Banco Central e a Previdência Social apresentaram déficit de R$ 28 milhões e R$ 793,3 milhões, respectivamente.
A Parcela de Preço Específica (PPE, fundo formado pela diferença entre a cotação do petróleo nos mercados interno e externo, conhecida como conta-petróleo) registrou déficit de R$ 96 milhões.

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