Rio de Janeiro - O Brasil pode voltar em 2004 a ter um superávit em conta corrente com o exterior (soma dos resultados das balanças comercial, de serviços e transferências unilaterais) ''como o do ano passado, que foi de 0,8%'' do Produto Interno Bruto (PIB)'', previu ontem o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles. A estimativa anterior era de saldo de 0,3% do PIB. Contribuiu para a melhor expectativa o desempenho do comércio exterior este ano, que, espera-se, atinja um saldo recorde.
Meirelles tratou do assunto como uma proteção, entre outras, que o País tem atualmente contra efeitos de possíveis turbulências externas. A esperada elevação da taxa de juros nos Estados Unidos, por exemplo, afetaria ''bem menos do que no passado'' e a desaceleração na China seria ''menos importante para o Brasil'', afirmou, em palestra promovida pelo Clube de Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDL-RJ). ''O Brasil tem condições de retomar a evolução da economia internacional com muito mais segurança e muito mais estabilidade'', disse.
Em tom otimista, Meirelles destacou também, na sua palestra, o que chamou de ''retomada sustentada da economia nacional''. Citou várias comparações positivas com junho de 2003, auge da retração econômica do ano passado, e disse que já há um processo de retomada do emprego. De acordo com ele, a taxa de desemprego que deve ser olhada é a do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que é nacional, e ficou em 12% em fevereiro. ''Nós nos enganamos em pensar que a taxa de desemprego está aumentando. Na verdade, o que está aumentando é o número de pessoas que voltou a procurar emprego e, por isso, aumentam os índices de desocupação'', justificou.

mockup