Brasília - O Brasil tem conseguido manter, neste início de ano, o ajuste nas contas externas verificado em 2003. Em janeiro, as transações correntes do País - que contabilizam o resultado da compra e venda
e mercadorias, além das receitas e despesas com prestação de serviços e rendas e transferências unilaterais - apresentaram um superávit de US$ 669 milhões.
Esse foi o melhor desempenho para o mês de janeiro desde 1992, quando o superávit foi de US$ 791 milhões. Com isso, no período acumulado de 12 meses, o saldo positivo das contas externas subiu de US$ 4,051 bilhões, em dezembro, para US$ 4,567 bilhões, o maior valor anual desde março de 1993.
O resultado verificado em janeiro superou as expectativas do Banco Central, que projetava um saldo positivo de apenas US$ 100 milhões. ''O desempenho da balança comercial veio bem maior'', explicou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. Em janeiro, o superávit comercial foi de US$ 1,588 bilhão.
A melhora no comércio exterior neste início de ano fez, inclusive, o BC revisar suas projeções para o ano. Em vez de um superávit comercial de US$ 19 bilhões, os técnicos trabalham, agora, com US$ 20 bilhões. ''Esse número ainda é conservador'', ressalta Lopes.
O País também tem conseguido ganhos expressivos na conta de serviços e rendas que, entre outras coisas, registra receitas e despesas com juros, viagens internacionais, remessa de lucros e dividendos, fretes e seguros.
Os gastos de turistas brasileiros em viagens ao exterior - que historicamente superam as receitas obtidas pelo País com turistas estrangeiros - se mantêm reduzidos, enquanto as receitas vêm aumentando. Em janeiro, a conta de viagens internacionais foi superavitária em US$ 100 milhões, o melhor desempenho desde janeiro de 1969, quando o dado começou a ser apurado.
Segundo Lopes, o que puxou esse resultado foi o incremento forte nas receitas do País com turistas de outros países, que somaram US$ 296 milhões no mês, US$ 100 milhões a mais do que em janeiro de 2003. Em fevereiro, até ontem, a conta de viagens internacionais estava positiva em US$ 67 milhões.

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