Brasília A economia aquecida e o dólar em queda não impediram que as contas externas continuassem apresentando em setembro resultados acima da média histórica, comprovando que o Brasil está menos vulnerável às turbulências que vêm do exterior. No mês, o supéravit em conta corrente, que mede as transações do País com o resto do mundo, fechou em US$ 1,741 bilhão, um valor inédito para o mês. ''São recordes históricos'', comemorou o chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central (BC), Altamir Lopes. Neste ano, a conta corrente do País já está positiva em US$ 9,603 bilhões, o correspondente a 2,28% do Produto Interno Bruto (PIB), mais que o dobro dos US$ 4,008 bilhões registrados em 2003. Nos 12 meses entre outubro de 2003 e setembro de 2004, o BC contabiliza outro número recorde: US$ 9,821 bilhões (1,8% do PIB) do período.
A balança comercial é a principal explicação para esses resultados. ''O superávit da balança comercial de janeiro a setembro, de US$ 25,114 bilhões, já ultrapassou os US$ 24,794 bilhões do resultado de todo o ano passado'', disse Altamir, lembrando que a balança comercial de 2003 já era um recorde. Os bons números do comércio exterior mais do que compensaram o déficit de US$ 17,893 bilhões até setembro da balança de serviços, que inclui, por exemplo, pagamento de juros e remessa de lucros. As transferências de US$ 2,381 bilhões feitas ao Brasil por brasileiros residentes no exterior deram uma contribuição adicional ao bom desempenho das contas externas.
Em outubro, o governo também deverá registrar resultados positivos. ''Trabalhamos com uma previsão de superávit em conta corrente da ordem de US$ 900 milhões'', disse. Se confirmado, o resultado será muito melhor do que estimava o BC, cuja última projeção é de um superávit em conta corrente de US$ 6,7 bilhões para 2004.
Rolagem A opção das empresas brasileiras de não renovar integralmente os empréstimos de médio e longo prazos contraídos no exterior também vem ajudando o Brasil a reduzir a dívida externa e melhorar os principais indicadores de vulnerabilidade externa. A baixa taxa de renovação dos débitos que venceram em setembro se refletiu numa queda do endividamento externo total.
Até julho, a dívida externa já caiu US$ 12 bilhões. Entre dezembro de 2003 e julho deste ano, a dívida externa total do País passou de US$ 214,9 bilhões para US$ 202,9 bilhões. Como as taxa de renovação estão inferiores a 100%, a tendência é de redução da dívida de médio e longo prazos.
Em setembro, a taxa de rolagem geral foi de apenas 26%: 31% para empréstimos diretos e 24% para as operações com papéis. Segundo Lopes, houve um aumento de rolagem em outubro, para 51%.

mockup