Superávit do setor público supera meta anual do FMI
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sexta-feira, 30 de novembro de 2001
Agência Estado <br> De Brasília 
O setor público entrou no último bimestre do ano com R$ 4 bilhões de sobra para gastar. O esforço fiscal imposto pela equipe econômica fez com que, de janeiro a outubro, a União, os Estados e os municípios arrecadassem R$ 44,23 bilhões a mais do que as despesas do período, sem contabilizar os gastos com juros. O acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê um superávit primário de R$ 40,2 bilhões para todo ano de 2001. Como o valor já foi superado, a folga acumulada poderá ajudar a melhorar o nível de atividade econômica neste final de ano, liberando o setor público para realizar mais despesas.
Tradicionalmente, no último trimestre do ano aumentam as pressões por gastos por causa, entre outras coisas, do pagamento de férias e 13º salário do funcionalismo público. Ainda assim, no mês passado o superávit primário foi de R$ 3 bilhões, o melhor valor para outubro desde 1994. Esse ganho foi obtido a despeito do desempenho mais fraco das empresas estatais federais, que, em setembro, haviam registrado superávit primário de R$ 1,465 bilhão, reduzido em outubro para R$ 351 milhões.
O resultado das estatais em setembro havia sido impulsionado pelos ganhos da Petrobras com a desvalorização de 4,69% do real em relação ao dólar naquele mês.
A variação cambial também impactou diretamente os gastos do governo com juros em outubro. A desvalorização da moeda nacional provocou um aumento de R$ 6,2 bilhões no estoque da dívida líquida do setor público, incluindo compromissos externos. As despesas com os encargos financeiros que incidem sobre essa dívida somaram R$ 11,7 bilhões, no mês. ''A taxa de juros do mês foi de 1,53%, contra 1,32% em setembro'', explicou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.


