Brasília O superávit da balança comercial do agronegócio somou US$ 20,347 bilhões em 2002, o que significa um crescimento de 7% em relação aos US$ 19 bilhões contabilizados no ano anterior. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulgados ontem pelo Ministério da Agricultura mostram que as exportações cresceram 4,1% em relação a 2001, chegando a US$ 24,839 bilhões, enquanto as importações caíram 7,3%, chegando a US$ 4,492 bilhões.
''Os números finais ficaram muito próximos aos previstos em abril do ano passado'', disse o diretor do Departamento de Comercialização da Secretaria de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura, Amilcar Gramacho. Segundo ele, em março ou abril deste ano, ''com uma idéia melhor do tamanho da safra de grãos'', será possível fazer uma previsão de exportação para 2003.
Gramacho afirmou que o complexo soja foi o grande destaque da balança do agronegócio em 2002. ''O complexo soja apresentou resultado positivo de embarques, alta nos preços internacionais e receita cambial positiva'', explicou. As exportações somaram US$ 6,008 bilhões, resultado 13,4% superior aos US$ 5,296 bilhões de 2001.
As exportações de soja em grão somaram US$ 3,032 bilhões no ano passado, 11,2% em relação ao resultado de 2001. As receitas cambiais obtidas com as exportações de farelo de soja somaram US$ 2,199 bilhões, alta de 6,5%.
Segundo Gramacho, vale destacar também o incremento das exportações de óleo de soja bruto, de 62,7%, de US$ 415 milhões em 2001 para US$ 675 milhões no ano passado. O resultado reflete o aumento no preço de exportação, de 33%, e a quantidade embarcada, que cresceu 22,3%.
O resultado das exportações do setor carnes também foi considerado positivo. Segundo o diretor, elas renderam US$ 2,751 bilhões, 7,8% acima dos US$ 2,552 bilhões de 2001, e o superávit da balança comercial do setor ficou em US$ 2,67 bilhões, ante R$ 2,482 bilhões em 2001, com um incremento de 7,6%. ''Esse resultado poderia ter sido ainda melhor se não fosse a queda dos preços, que em 2002 ficaram 16% abaixo dos preços de 2001'', afirmou.
Levantamento da Secex mostra que o volume embarcado de carnes cresceu 31,8% em 2002 na comparação com 2001, mas os preços médios de exportação recuaram 17,2%. Dentro do setor carnes, o maior destaque foi o crescimento de 81,6% no volume embarcado de carne suína. As receitas cresceram 35,5%, passando de US$ 346 milhões em 2001 para US$ 469 milhões no ano passado. A exportação de carne bovina industrializada cresceu 18,9% e vendeu-se 3,4% a mais de frango ''in natura'' no exterior.
O resultado de exportação açúcar, café e madeiras também foi prejudicado pela queda nos preços internacionais no ano passado. Segundo Gramacho, os embarques de açúcar cresceram 19,5% em volume, mas os preços médios recuaram 23,1%, o que resultou em queda de 8,1% na receita cambial. Os embarques de café cresceram 22%, mas os preços internacionais recuaram 20,5% e a receita cambial obtida com as vendas caiu 2,2% no ano.
Nas exportações de madeira, os preços médios recuaram apenas 2,9%. Isso permitiu que o maior embarque (alta de 21,9%) compensasse o recuo de preços no mercado internacional. As receitas cambiais obtidas com as exportações de madeira cresceram 18,4%.
Outros grupos de produtos que contribuíram para o crescimento das exportações do agronegócio foram sucos de frutas (US$ 1,133 bilhão), fumo e tabaco (US$ 1,008 bilhão) e pescados (US$ 334 milhões). As exportações desse grupo cresceram, respectivamente, 22,4% 6,8% e 23,4%.

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