Brasília - Os problemas com a exportação de soja e de carne nas últimas semanas não impediram que a balança comercial do agronegócio batesse vários recordes no primeiro semestre. Entre janeiro e junho, foi registrado o superávit inédito de US$ 16,1 bilhões, o que representou um crescimento de 42,6% em relação aos US$ 11,3 bilhões de igual período de 2003. Os números, divulgados ontem pela assessoria de imprensa do Ministério da Agricultura, mostram que as exportações somaram US$ 18,5 bilhões, 36% acima do registrado em 2003.
O destaque do semestre foi o complexo soja, com incremento de 45% nas vendas, mesmo com o embargo da China, entre maio e junho. As exportações de carnes, que sofreram embargos da Rússia e da Argentina, cresceram 61% no período. Os embarques de madeiras e móveis aumentaram 48,5%; de leite, 58%; de café, 25,5%; de açúcar e álcool, 53,5%; e de cereais, farinhas e preparações, 314%.
Apenas em junho, as exportações de produtos agrícolas somaram US$ 4,404 bilhões, resultado que superou em 68,6% os US$ 2,613 bilhões do mesmo mês de 2003. De acordo com os técnicos do governo, é a primeira vez que o valor mensal das exportações agrícolas supera a cifra de US$ 4 bilhões. O agronegócio respondeu por 47,2% das exportações totais do País em junho, que chegaram a US$ 9,328 bilhões.
As importações, por sua vez, cresceram 14,9% em relação a junho de 2003, somando US$ 442,5 milhões. No mês, o saldo da balança comercial do agronegócio somou US$ 3,961 bilhões, 77,9% acima do resultado de igual período do ano passado. É o maior superávit mensal da série histórica iniciada em 1989.
O complexo soja também foi o destaque da balança em junho. As exportações de soja em grão, farelo e óleo de soja cresceram 107,9% e chegaram a US$ 1,845 bilhão. Em junho de 2003, a receita cambial desses produtos havia sido de US$ 887,3 milhões. Nese período, as vendas de soja em grão cresceram 97,7%, as de farelo, 110,5%, e as de óleo, 211,4%.
O governo avalia que as exportações do complexo soja chegarão a US$ 10 bilhões neste ano, com alta de 23% em relação aos US$ 8,1 bilhões do ano passado. Esse crescimento ainda poderia ser maior se não fossem os problemas com as exportações para a China e a queda de produção em comparação com o ano-safra anterior - de 52,017 milhões de toneladas para 49,712 milhões de toneladas.
No setor de carnes, as exportações de junho renderam US$ 518 milhões ao País, uma alta de 87,5% na comparação com os US$ 276,2 milhões no mesmo mês de 2003. As exportações de carnes bovina, suína e de frango cresceram tanto por causa da melhoria dos preços quanto do aumento expressivo das quantidades vendidas.
No mês passado, aumentaram as exportações para todos os destinos, com destaque para a China, que absorveu US$ 620,16 milhões em produtos agrícolas brasileiros, com alta de 154,15%. O país já é o segundo maior mercado do agronegócio brasileiro, atrás apenas da União Européia, que comprou US$ 1,44 bilhão em junho (mais 56,45%).

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