Rio de jAneiro - Depois de encolher 27,5% em 2004, o superávit comercial do Brasil com a China deverá despencar 54% este ano e o resultado vai se transformar em déficit comercial provavelmente já em 2006. A projeção é da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Para a entidade, depois de consolidar as vendas para os Estados Unidos e Europa, a China ''está voltando as baterias'' para a América do Sul.
''Enquanto o ritmo das nossas exportações para lá estão caindo, a deles está crescendo'', diz o vice-presidente executivo da AEB, José Augusto de Castro. No ano passado, o saldo favorável ao Brasil foi de US$ 1,730 bilhão, ante US$ 2,385 bilhões em 2004. A projeção para 2005 é de US$ 800 milhões, estima Castro. No primeiro quadrimestre deste ano, as importações brasileiras da China cresceram a uma velocidade 15 vezes maior do que a das exportações.
Enquanto os chineses registram avanço de 58,2% sobre o mercado brasileiro, as vendas ao parceiro aumentaram apenas 3,9%. As explicações para o forte desempenho da China são o câmbio fixo e desvalorizado por política governamental, mão de obra ''baratíssima'' e ''um subsídio que existe, mas não há como quantificar'', além de condições favoráveis de pagamento, comenta o Castro. ''A China é muito agressiva comercialmente'', afirma.
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) iniciou um estudo para identificar quais os setores nacionais afetados a partir das vendas chinesas, que tem aumentado muito desde o ano passado. Uma das conclusões preliminares indica que num grupo de segmentos, a China aumenta vendas para o Brasil, mas faz isso ganhando mercado sobre outros países. Em outras áreas, as compras do país asiático crescem deslocando produtores nacionais.
A economista do Ipea, Fernanda De Negri, explica que o problema ocorre quando a entrada dos produtos chineses prejudica a produção local. As conclusões premiliminares indicam que este é o caso do segmento de tecelagem, que fica dentro do setor têxtil, assim como dos calçados. Em outros, como o de eletroeletrônicos e do segmento de tecidos e artigos de malha, o produto chinês desloca concorrentes internacionais que também vendem para o Brasil.
O vice-presidente da AEB argumenta que os grandes setores intensivos em mão de obra no Brasil são diretamente afetados pela concorrência chinesa, porque o custo salarial é muito inferior no país oriental. O setor brinquedos também se queixa da invasão de produtos chineses. Castro explica que a tendência é de reversão dos saldos positivos.

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