Superávit de US$ 11 bi não será atingido, admite Fraga
O governo não espera mais alcançar um superávit de US$ 11 bilhões na balança comercial deste ano e está revisando esta meta. A informação foi dada ontem pelo presidente do Banco Central, Armínio Fraga. Apesar de projetar um superávit menor, ele ainda espera um déficit em conta corrente inferior a US$ 20 bilhões.
Fraga admitiu ainda a possibilidade de revisar, novamente, sua estimativa para a queda do Produto Interno Bruto (PIB). Eu não me surpreenderia se ela ficar abaixo de 2%, disse ele. Na semana passada, nos Estados Unidos, ele estimou a recessão em 2%, metade dos 4% previstos na revisão do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) feita em março.
Fraga explicou que a recessão menor - que implica em maior volume de importações - é principal razão para a redução das metas de superávit comercial. A segunda razão - segundo relatou aos participantes de almoço promovido pelo Instituto Brasileiro de Executivos Financeiros (Ibef) - é que está ocorrendo uma deterioração das relações de troca do Brasil. Os preços mundiais dos produtos que exportamos estão caindo sem a contrapartida da redução dos preços dos itens que importamos, afirmou.
Fraga disse que ocorreu uma importante perda de linhas de financiamento do comércio exterior no início da crise cambial e que esta perda foi de 20% ou mais. Essa perda, explicou, atingiu mais os pequenos e médios exportadores.
Fraga ponderou que a equipe econômica já agiu - durante as visitas que fez a investidores norteamericanos e europeus - para reverter essa situação. E agora, a melhor resposta do governo é uma boa administração da política macroeconômica, argumentou.
Segundo ele, há boas notícias na economia neste sentido, como a expectativa de uma inflação ao consumidor em torno de 10% este ano e queda do PIB entre 2% e 3%, segundo cotações médias colhidas pelo BC junto a analistas econômicos.
Na palestra que fez aos executivos financeiros, Fraga defendeu o programa do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que prevê a emissão de títulos para a reestruturação das dívidas de cerca de 90 empresas brasileiras que lançaram bônus no exterior. Na sua avaliação, a adesão a este programa - que é voluntária - seria muito mais concorrida se ele tivesse sido lançado há três meses.Agliberto Lima/Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)CompensaçãoArmínio Fraga, do BC: recessão menor é o principal motivo para o não cumprimento da metaAgência Estado





