Brasília - No mês passado, período em que o real valorizou-se frente ao dólar, o Brasil registrou o melhor saldo comercial do ano. As exportações superaram as importações em R$ 1,714 bilhão. O resultado em um abril só foi melhor em 1988, quando o saldo ficou em US$ 1,896 bilhão. O bom desempenho da balança continua sendo puxado pelas exportações, que desde o início do ano bateram sucessivos recordes. No mês passado, as vendas externas somaram US$ 5,711 bilhões, o melhor resultado da história.
Nos primeiros quatro meses do ano, as exportações também foram as maiores da história. Somaram US$ 20,756 bilhões, US$ 2,238 bilhões a mais que o recorde anterior, registrado em 2001.
No ano, o saldo comercial está em US$ 5,474 bilhões. É o maior saldo para o período desde 1989, quando as exportações superaram as importações em US$ 5,550 bilhões. É a terceira vez na história, que o saldo comercial para o primeiro quadrimestre do ano supera a marca de US$ 5 bilhões.
No mesmo período do ano passado, o saldo comercial foi de US$ 1,574 bilhão, mais de 3,5 vezes menor que o de 2003. As exportações cresceram entre os dois períodos 25,6%. Passaram de US$ 16,532 bilhões para US$ 20,756 bilhões.
As importações, por sua vez, cresceram num ritmo muito menor. No quadrimestre, as compras do exterior foram de US$ 15,282 bilhões, apenas 1,8% a mais que no ano anterior, quando o país importou US$ 15,008 bilhões.
Em abril, a queda do dólar não afetou o crescimento das exportações. Com relação ao mesmo mês do ano passado, as vendas cresceram 23,1%. O crescimento só não foi maior, pois, este ano, abril teve dois dias úteis a menos. Pela média diária de vendas, que foi de US$ 275,7 milhões em abril, o crescimento é de 35,4%.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, ainda é cedo para avaliar qual será o real impacto da queda do dólar no desempenho da balança comercial. O ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) avaliou, em diversas ocasiões, que um dólar abaixo de R$ 3 não estimularia as vendas externas.
Embora a taxa de crescimento das exportações esteja acima dos 20% desde o início do ano, Furlan trabalha com uma meta de crescimento de cerca de 10% para 2003. O objetivo de Furlan, que poderá ser revisto para cima, é de exportar US$ 66 bilhões.

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