O inesperado superávit comercial de US$ 80 milhões registrado em fevereiro deve ser visto como fato isolado e não sinaliza nenhuma tendência de melhora nas transações comerciais do Brasil com o Exterior. A afirmação é de José Augusto de Castro, diretor da Associação de Comércio Exterior do Brasil, que projeta um segundo semestre bem mais difícil para a balança.
Castro afirmou que uma das mais prováveis razões para o superávit de fevereiro foi o feriado do Carnaval e não uma mudança no desempenho da balança. Segundo ele, o cenário mais provável é que os exportadores tenham antecipado os embarques de produtos para escapar do vencimentos das ACCs previstos para o início desta semana. Ao mesmo tempo, também por causa do Carnaval, o desembaraço das importações pode ter sido mais lento. ‘‘Em resumo, nada mudou’’, afirmou o empresário.
O principal dado citado por Castro para embasar a análise foi a média diária das exportações, que subiu para US$ 288 milhões na semana anterior ao feriado, contra uma média máxima de US$ 233 milhões nas primeiras semanas do mês. ‘‘A média diária de uma única semana de fevereiro foge muito do padrão’’, destacou.
Segundo Castro, é preciso agora avaliar o comportamento da balança comercial nos dois últimos dias de fevereiro e nas duas primeiras semanas de março para se ter um quadro mais claro sobre se houve mudança real no comportamento das importações e das exportações. Ele afirmou que as vendas externas do Brasil ainda não foram impactadas pela desaceleração econômica dos Estados Unidos, pois os embarques ainda se referem a contratos feitos no ano passado.
No segundo semestre, entretanto, esse reflexo será sentido, ao mesmo tempo em que, tradicionalmente, as importações brasileiras aumentam. A AEB não revisou sua projeção mais realista para o resultado da balança comercial deste ano, de déficit de US$ 450 milhões. A entidade trabalha com três cenários: um positivo, outro realista e um mais pessimista.

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