Superar demissão exige maturidade
Curitiba - André Navega Trancho, 42 anos, foi um dos trabalhadores que passou pela demissão durante o período da crise, mas conseguiu uma colocação no mercado de trabalho em abril. Ele trabalhava para uma empresa multinacional de autopeças durante dois anos e foi demitido em outubro do ano passado. Ocupava o cargo de gerente geral de recursos humanos. ''Eu não esperava a demissão porque os números da empresa apontavam crescimento'', disse.
Desde outubro, a empresa que ele trabalhava já demitiu 50 pessoas. Trancho aconselha que na hora que o funcionário recebe a notícia da demissão deve ''manter a cabeça no lugar e respirar fundo''. Graças a uma boa dose de experiência, uma carreira levada a sério e sorte, ele começou a trabalhar novamente em abril. Para conseguir a nova vaga ele acessava vários sites, ativou ainda mais a rede de contatos do e-mail, foi a eventos e visitou amigos.
''O mercado de Curitiba tem um tamanho pequeno para a função que eu exerço. Só aparecia emprego para São Paulo e Rio de Janeiro'', contou. Ao sair da empresa, a companhia ofereceu a ele uma consultoria de revisão da carreira que o ajudou a chegar a nova contratação.
Hoje, ele é gerente corporativo de recursos humanos da Tyson do Brasil, empresa produtora de carne de frango. Esta companhia contratou quase uma centena de funcionários neste ano e ainda tem novas oportunidades de trabalho. Para ''um bom profissional, sempre abrem oportunidades. Ao longo da carreira a pessoa deve construir pontes e não paredes'', disse.
Para quem está desempregado a dica dele é se conscientizar do momento, controlar os passos futuros nas finanças, contatar pessoas que possam ser fontes potenciais de emprego, ter paciência e não se desesperar. ''A ansiedade é o mais triste em tudo isso'', disse. Além disso, há a cobrança da família e da sociedade. ''A pessoa tem que ter maturidade para não se deixar depreciar'', recomendou.
O torneiro mecânico Giovani Venâncio Ferreira, 35 anos, trabalhava para uma empresa de usinagem e foi demitido em abril. Hoje, ele está a procura de uma vaga e buscou canais como agências de emprego, jornais e as empresas. ''Quando eu acho uma vaga, o salário é lá embaixo'', contou. Ele foi demitido com um salário de R$ 1.850,00 e hoje o mercado oferece entre R$ 1 mil e R$ 1.200,00. (A.B.)





