Brasília - Mantendo a tendência verificada desde o início do ano, a Receita Federal do Brasil (que unificou a arrecadação dos impostos e contribuições previdenciárias) bateu novo recorde em setembro. A ''Super-Receita'' arrecadou R$ 37,99 bilhões no mês passado. Esse montante, o maior já registrado em meses de setembro, ficou 1,71% acima do obtido em setembro do ano passado, já com a atualização dos valores pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Em comparação com agosto passado, houve uma queda de 2,10%, mas isso ocorreu porque agosto teve uma semana útil a mais, e, consequentemente, um período maior de recolhimento de tributos. A arrecadação acumulada no ano pela Super-Receita chegou ao valor recorde de R$ 345,75 bilhões, 5,69% acima do registrado nos nove primeiros meses de 2004. Esse foi o segundo mês em que a Receita divulgou o resultado consolidado da arrecadação, incluindo a receita das contribuições previdenciárias, que antes eram recolhidas pelo Ministério da Previdência Social.
Do total arrecadado em setembro, R$ 28,46 bilhões referem-se aos tributos anteriormente administrados pela Secretaria da Receita Federal. As receitas previdenciárias somaram R$ 9,52 bilhões, registrando um crescimento de 16,81% sobre setembro do ano passado.
De acordo com o secretário-adjunto da Receita Federal, Ricardo Pinheiro, a arrecadação previdenciária cresceu como reflexo do aumento da massa salarial, da formalização do emprego e da criação de postos de trabalho. De janeiro a setembro, a arrecadação dessas contribuições somou R$ 80,87 bilhões. A meta do governo é chegar a R$ 109 bilhões em 2005 para reduzir o déficit nas contas do INSS. Pinheiro disse que a meta poderá até ser superada com ''esforço'' e ''foco maior'' na fiscalização do recolhimento das contribuições.
Segundo Pinheiro, o crescimento da economia tem tido reflexos positivos especialmente nos impostos sobre a renda, engordando a arrecadação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). De janeiro a setembro, as receitas do IRPJ cresceram 20,51% e da CSLL, 20,49%, em relação ao ano passado. A arrecadação desses dois tributos está sendo puxada pelo desempenho de pelo menos seis setores: instituições financeiras, combustíveis, telecomunicações, eletricidade, metalurgia básica e extração de minerais metálicos. Pelos cálculos da Receita, 70% do aumento do IRPJ e da CSLL ao longo do ano se deve ao desempenho desses setores.
O secretário-adjunto disse que a arrecadação ainda não foi prejudicada pela greve dos servidores do órgão contra a MP 258 - que criou a Super-Receita. A greve completou 100 dias ontem.

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