Um retrato histórico do País de 1970 a 1998 revela que a capital de São Paulo e a região Sul inverteram seus papéis na geração de emprego industrial. No ranking dos 200 municípios com a maior quantidade de postos industriais do País, São Paulo aparecia em 1970 com 30% das vagas. O Sul tinha 13,8%.
Quase 30 anos depois, a capital paulista passou a responder por 16,7% das vagas industriais dos 200 municípios que se destacavam no ranking nacional de 98. O Sul já tinha o equivalente a 21,4%. Somada a participação dos municípios da Grande São Paulo, porém, a região metropolitana paulista ainda é líder, com 23,3%.
Essas informações surgem da comparação do censo industrial de 1970, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com os últimos dados do Cadastro Central de Empresas do instituto, de 1998, que estão para ser divulgados e têm a mesma cobertura do censo.
Para chegar a uma idéia do perfil da nova divisão geográfica do emprego industrial no País, a Agência Folha trabalhou com uma amostra dos 200 principais municípios em vagas industriais, tanto em 1970 como em 1985 e em 1998.
Mas a região Sul não foi a única a ganhar. Norte e Centro-Oeste, cuja participação na geração de emprego industrial ficava ao redor de 1%, dobraram e triplicaram seu peso, respectivamente. O Nordeste também conquistou mais espaço, colaborando para essa descentralização de São Paulo e do Rio.
A fatia do Sudeste só não encolheu mais porque Minas e Espírito Santo melhoraram a colocação dos seus municípios nessa amostra das 200 maiores cidades.
O já conhecido esvaziamento econômico do Rio de Janeiro pode ser entendido comparando-se os dados do IBGE. O Estado, que em 1970 respondia por 16% das vagas, reduziu praticamente à metade sua fatia (8,8%), sendo igualado por Minas Gerais.
‘‘Há uma clara desconcentração do emprego industrial, que tem um efeito muito maior no bem-estar social dessas populações do que na geração de valor para a economia’’, diz o economista Sílvio Sales, chefe do Departamento de Indústria do IBGE.
Graças a essa descentralização contínua do emprego industrial do País ao longo de quase 30 anos, a perda de postos industriais no total dos municípios não foi tão violenta se comparada ao nível de emprego em 1985.
A redução foi de só 7%, número que impressiona os especialistas. Sílvio Sales lembra, porém, que Rio e São Paulo perderam a importância no emprego por motivos diferentes. A posição de São Paulo pouco mudou na geração de riquezas do País, o que indica que o Estado reteve empresas que geram maior valor, com menos gente empregada.

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