Os consumidores da Região Sul foram os que mais recorreram ao crédito no País, com alta de 12,6% em julho em relação ao mesmo mês do ano passado. O indicador puxou para cima a média nacional de alta de 7,0% no mesmo comparativo, segundo pesquisa divulgada ontem pelo Serasa Experian. Entre os fatores que justificam a alta estão a fraca base de comparação no ano passado, quando o País ainda estava em ritmo de Copa do Mundo, e a possibilidade de aumento da demanda da população em um período de corrosão da renda e de elevação do desemprego, dizem analistas.
No acumulado entre janeiro e julho, a demanda no Sul registou alta de 6,5%, a terceira maior do País, atrás de Nordeste (10,1%) e Centro-Oeste (8,5%). No País, o indicador teve crescimento de 5,1%, considerado a média dos últimos anos, de acordo com o Serasa.
O economista da instituição, Luiz Rabi, afirma que o indicador de julho é um ponto fora da curva. Além da fraca base de comparação do ano passado devido à Copa, ele destaca que o resultado nacional de alta de 8,5% sobre junho ocorre porque o mês passado teve dois dias úteis a mais do que o anterior (23 a 21). "Cada dia útil representa cerca de 5%, então a demanda teria recuado 0,9% na média diária", diz.
Para Rabi, a tendência é que o índice do acumulado do ano caia mensalmente até dezembro. Ele lembra que abril registrou retração de 0,5% e que, de janeiro a maio, o resultado registrou alta de 3,7%. "O consumidor não está com a disposição de se endividar mais pelos aumentos do desemprego, dos juros e da inflação, além da baixa confiança", explica.
Ele completa que as únicas linhas que têm um desempenho positivo são de empréstimos consignados e habitação, porque os bancos estão mais criteriosos na concessão de recursos. "O impacto é a recessão econômica que estamos vendo, porque a economia não avança quando o crédito está em desaceleração", considera o economista do Serasa.
De Curitiba, o diretor executivo do Instituto Datacenso, Claudio Shimoyama, acredita que a elevação da demanda em junho e julho se deve a uma piora nos indicadores econômicos nos últimos meses. "Esse crédito que as pessoas têm buscado é uma alternativa imediata para o consumo, apesar dos juros altos. Com a renda em baixa, elas usam o crédito para honrar compromissos e até para comprar alimentos", diz.
Para Shimoyama, a Região Sul pode ter elevado o uso do crédito porque indústrias fortes nos três estados, como a automotiva e a construção civil, estão entre as que mais sofrem e que mais geram desemprego. "Talvez se mantenha esse índice médio de 5,0% até o fim do ano, mas a tendência é diminuir porque os bancos estão segurando mais e até o governo limita o consumo com as elevações da taxa de juros", complementa o diretor do Datacenso.

Por renda


A demanda do consumidor por crédito cresceu em todas as faixas de renda em julho, mas foi maior entre as famílias que contam com salários menores. Tanto que as duas faixas com maiores avanços são as de até R$ 1 mil de renda mensal. Para quem ganha entre R$ 500 e R$ 1 mil, a elevação representou 9% em relação ao mês anterior. Na faixa de trabalhadores que recebem até R$ 500, o avanço foi de 8,5%.
Os consumidores com rendimentos entre R$ 1 mil e R$ 2 mil registraram crescimento de 8,3%. Para os que ganham mais de R$ 10 mil, a alta foi de 8,1%. Na faixa entre R$ 2 mil e R$ 5 mil, a demanda subiu 8,0%. E para os consumidores com salário entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, a procura aumentou 7,8%.

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