A região Sul, especialmente o Rio Grande do Sul, tem sido um dos poucos ''oásis'' para o escoamento de produtos eletroeletrônicos do País. Segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor de móveis e eletrodomésticos cresceu 20,18% em agosto naquele Estado, quando comparado com agosto do ano passado. A média nacional foi de queda de 6,75% em agosto em relação a julho. Nos maiores centros, como São Paulo e Rio de Janeiro, as quedas foram ainda maiores, de 8,14% e 9,47%, respectivamente.
Segundo Vânia Prata, chefe do Departamento de Comércio e Serviços do IBGE, esse comportamento resulta da ausência de racionamento na região Sul. ''Esse movimento já havia sido constatado nos meses anteriores e se tornou mais evidente em agosto'', observou Vânia.
Santa Catarina também registrou bom desempenho, com crescimento de 3,87% em agosto e expansão de 8,70% no acumulado do ano (janeiro a agosto de 2001 sobre janeiro a agosto de 2000), enquanto o Paraná foi o único Estado com queda, mas abaixo da média nacional. A oscilação em agosto foi de menos 4,16% e de queda de 3,42% no acumulado do ano.
Outra evidência de que os efeitos da ''apagão'' causaram estragos no comércio varejista é o comportamento desse segmento na região Nordeste. Na Bahia, por exemplo, o setor de eletrodomésticos e móveis caiu 17,86% em agosto, em Pernambuco a queda foi de 15,81% e de 21,79% no Ceará.
O levantamento do IBGE mostra também que o volume de vendas do comércio varejista caiu 0,28% em agosto na comparação com o mesmo período do ano passado. As razões para a queda do consumo continuam sendo o racionamento e o ambiente macroeconômico, com juros altos, diminuição do crédito, desvalorização cambial e a renda do trabalhador cada vez mais curta.
Esta é a quinta retração consecutiva apurada pelo IBGE na Pesquisa Mensal do Comércio. Em julho, queda foi de 3,90%. De janeiro a agosto, o comércio deixou de vender em volume 1,22% a menos que o registrado no mesmo período do ano passado.

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