Sul quer redução no preço do gás natural
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terça-feira, 03 de setembro de 2002
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba Distribuidoras de gás natural da Região Sul Compagas, Sulgás e SCGás querem que o governo federal renegocie o preço do produto importado da Bolívia. No estudo ''Alternativas de Viabilização do Aumento da Participação do Gás Natural na Matriz Energética da Região Sul'', elaborado em parceria com as federações das indústrias dos três Estados, as distribuidoras sugerem, ainda, o subsídio ao transporte, o que também reduziria o custo do produto. O documento foi encaminhado, na semana passada, ao ministro das Minas e Energia, Francisco Gomide.
De acordo com o diretor-presidente da Compagas, Antonio Fernando Krempel, outra proposta é a disponibilização de 4 milhões de metros cúbicos dos 40 milhões de metros cúbicos de gás que serão destinados às 49 usinas do Programa Prioritário das Termelétricas. O preço definido pelo Ministério das Minas e Energia é 20% menor que o gás boliviano. Enquanto o metro cúbico do gás importado da Bolívia custa R$ 0,35, o produto que abastecerá as termelétricas custa R$ 0,27. ''Foi feito um mix de gás nacional e gás importado, resultando nessa redução do preço'', explicou.
Emprestar o gás das termelétricas que ainda não estão em operação, no entanto, seria uma medida paliativa e que poderia ser implementada a curto prazo. O que as distribuidoras querem, na verdade, como solução estrutural é que o governo retome as obras do gasoduto Uruguaiana-Porto Alegre. Com isso, a região teria mais uma opção de compra do gás, nesse caso, importado da Argentina. O gás argentino, segundo Krempel, pode chegar à Região Sul até 40% mais barato que o gás boliviano, custando aproximadamente R$ 0,21 o metro cúbico.
A diferença de custo para as distribuidoras entre o gás natural importado, vindo da Bolívia para a Região Sul, por meio do gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol), e o nacional, fornecido para as regiões Sudeste e Nordeste, é de 83%. Para Krempel, isso provoca um desequilíbrio setorial interregional e consequente perda de competividade para as indústrias sulistas, tanto no mercado interno como externo. As indústrias que adotaram o gás natural começaram a ter que arcar com os constantes aumentos do preço desse energético, influenciados pelas variações cambiais e do preço do barril do petróleo.
No Paraná, atualmente, o gás natural é utilizado por 74 empresas, sendo sete postos de combustível, duas células de combustível, cinco estabelecimentos comerciais, a UEG Araucária em fase de testes e 59 indústrias, reponsáveis por 80% do consumo médio de 500 metros cúbicos/dia no Estado.


