Sul poderá ter racionamento este ano, diz diretor de Itaipu
O Sul do Brasil enfrentará dificuldade para o abastecimento de energia elétrica no segundo semestre. O problema deve ocorrer porque a Itaipu Binacional fará o segundo rebaixamento do reservatório em sua história para produzir energia em capacidade máxima, socorrendo o sistema elétrico brasileiro.
Atualmente, a binacional está transmitindo toda sua produção para o Sudeste, embora o projeto inicial determine a destinação de 15% da produção para o Sul do Brasil. Essa porcentagem será mantida durante a operação de socorro para abastecer o Sudeste e o Nordeste, regiões já afetadas pelo racionamento de energia.
O rebaixamento do Lago de Itaipu, previsto para começar em outubro, pode fazer com que falte água para produzir energia na hidrelétrica justamente quando os reservatórios das usinas do Sul chegarem ao nível limite de produção (20%) hoje, esse índice está em 80%. Se isso acontecer, os consumidores da região podem precisar dos 15% a que têm direito.
O conjunto destas situações pode causar apagões no Sul ainda este ano, apesar dos técnicos acreditarem que as reservas do Sul aguentarão por um bom tempo, pois as bacias hidrográficas que alimentam a região são diferentes das usadas pelo Sudeste.
A possibilidade de apagão no Sul foi divulgada ontem pelo diretor técnico-executivo da Itaipu Binacional, Altino Ventura Filho, nas comemorações dos 27 anos da unidade. Como Itaipu é uma usina do tipo fio dágua, ou seja, trabalha com o nível do reservatório constante porque desta forma maximiza a produção de energia durante o ano todo , o retorno do volume normal de água é determinante para Itaipu.
O rebaixamento, no entanto, não acontecerá de uma só vez. Em função da demanda que venha a ser estabelecida pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), Itaipu passará a rebaixar progressivamente o lago. Para Ventura Filho, o rebaixamento não ocorrerá neste momento. Com isso, estaríamos reduzindo a produção em vez de aumentá-la, afirmou.
A Folha apurou que há possibilidade de que o rebaixamento do lago se estenda por um longo período. Não está descartada a possibilidade de que a volta do reservatório ao nível normal ocorra num período de 25 a 30 meses.
No momento, as dificuldades de abastecimento estão no Sudeste e Nordeste, por isso Itaipu deveria estar repassando para o Sudeste toda a sua produção de 12,6 mil MW com exceção dos 10% consumidos pelo Paraguai. No entanto, somente metade dos 12,6 mil MW chega efetivamente à região, porque na ponta paulista do terceiro linhão de Furnas, que liga Foz do Iguaçu a Tijuco Preto (SP), a capacidade de recebimento de energia é de somente 6,3 mil MW.
A capacidade de produção acumulada nos três Estados do Sul hoje é de 8.000 MW, com produção efetiva de 7.500 MW. O consumo, no entanto, é de cerca de 7.000 MW, e o excedente mais os 1.200 MW importados da Argentina vem sendo repassado ao Sudeste. (Colaborou Alexandre Palmar)





